Polícia mata cão cego e surdo: autarca demite-se e cidade paga 432 mil euros ao tutor - TVI

Polícia mata cão cego e surdo: autarca demite-se e cidade paga 432 mil euros ao tutor

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  • 20 nov, 12:30
Teddy (foto: Animal Legal Defense Fund)

Justificação do agente não convenceu a população e as imagens da bodycam mostraram o que aconteceu

Um cão morto a tiro, demissão do autarca local, pedido de dissolução do departamento policial, um polícia que acabou por entregar o distintivo e a arma. E agora uma indemnização de 500.000 dólares (cerca de 432.000 euros) para o tutor do animal. Tudo isto aconteceu em Sturgeon, no Missouri, EUA.

Teddy, um Shih Tzu cego e surdo com cerca de 6 kg, foi morto a tiro por um polícia em maio de 2024. Agora, segundo o Washington Post, a autarquia vai indemnizar o tutor pela morte do seu animal de estimação.

Nicholas Hunter processou a cidade depois de o polícia Myron Woodson ter disparado por duas vezes sobre Teddy, de 5 anos.

O Shih Tzu escapou do canil enquanto Hunter estava a jantar e acabou noutro quintal. O morador chamou a polícia para que o cão perdido fosse devolvido ao seu tutor, mas o desfecho da sua chamada acabou por ser trágico.

Durante uns cinco minutos, Woodson tentou apanhar sem sucesso Teddy com uma "vara de captura". Depois disso, disparou sobre o cão, de acordo com o processo judicial e as imagens da bodycam do polícia.

Na sua página de Facebook, a autarquia justificou a ação de Woodson. Primeiro escreveu que o polícia atirou por ter receio de que Teddy tivesse raiva. Depois fez uma publicação em que refere que as imagens tinham sido analisadas e que as ações do agente tinham sido consideradas justificadas.

Autarca demite-se e polícia abandona o cargo

Inicialmente, o autarca de Sturgeon, Kevin Abrahamson, colocou-se do lado de Woodson, mas acabou por se demitir e ser substituído por Seth Truesdell, que suspendeu o agente - que acabou por deixar a polícia.

O incidente revoltou os residentes de Sturgeon, que pediram a dissolução do departamento local da polícia. Mas a onda de indignação foi ainda mais ampla. "A cidade não lidou bem com a situação", reconheceu Truesdell à estação local de notícias KMIZ. A cidade foi "inundada com mais de 700 chamadas por dia de todo o mundo", acrescentou.

"O Teddy era um bom cão que não merecia isto", apontaram os advogados do tutor numa declaração divulgada pela Animal Legal Defense Fund, que apoiou o processo judicial.

Segundo Chris Green, diretor executivo da Animal Legal Defense Fund, as imagens da câmara de Myron Woodson deixaram bem claro que Teddy "não era uma ameaça" e que "não estava a avançar em direção ao agente".

"Nada poderá trazer Teddy de volta", mas espera-se que este caso sirva de exemplo para outros departamentos policiais, que devem "treinar melhor os seus agentes".

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