O candidato presidencial António José Seguro admite dar posse a um governo do Chega, "mas com exigências".
Em entrevista à TVI e CNN Portugal, António José Seguro foi confrontado com um cenário em que o Chega obtivesse maioria parlamentar para formar governo. Nesse caso, e após alguma resistência, o candidato presidencial apoiado pelo PS admitiu dar posse a esse governo, "mas com exigências", deixando claro que não aceitará governos inconstitucionais.
"Não há governos que sejam inconstitucionais, não aceitarei isso", vinca.
Nesse cenário, acrescenta, teria de "haver um crivo" em relação aos nomes propostos para assumir pastas de governação, sem esquecer a necessidade de haver "uma conversa séria sobre o programa" que esse governo viesse a apresentar.
Sobre a atuação do Governo liderado por Luís Montenegro na gestão de crise provocada pelas tempestades que têm assolado o país, António José Seguro repetiu as palavras da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, admitindo também não saber o que falhou.
"Não, ainda não sei o que falhou, e neste momento a prioridade deve ser canalizar todos os apoios para acudir às famílias e às empresas", defende, insistindo que a prioridade nesta fase "não é a andar a discutir quem tem responsabilidade", mas sim "acudir as pessoas".
O que ficou claro nos últimos dias para António José Seguro é que "o Estado português não está preparado para responder a situações desta natureza" e é por essa razão que o candidato presidencial assume que, se for eleito, vai fazer "perguntas" ao Governo de modo a garantir a prevenção de "situações futuras".
"Porque é que não se pode ser mais rápido a repor a energia elétrica, a água, as telecomunicações? Porque é que não se pode ser mais rápido a fazer uma referenciação de quais são os estragos, designadamente na via pública. Porque é que nós não articulamos todos os meios públicos através de um comando único, designadamente articulando Proteção Civil, Forças Armadas e outros instrumentos para responder a estas necessidades?", sugere.
Sobre os apoios anunciados pelo Governo para ajudar as famílias e empresas afetadas pelas tempestades, António José Seguro defende que esses apoios devem "chegar rapidamente às pessoas" e compromete-se a fazer uma vistoria no terreno assim que tomar posse como Presidente da República.
"Se eu vier a ser eleito, uma das minhas primeiras tarefas vai ser ir ao terreno verificar se realmente as famílias e as empresas foram apoiadas, porque é neste momento que precisam desse apoio", compromete-se.