A NOS e a Meo lamentam as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou esta quarta-feira que as telecomunicações "portaram-se mal", destacando a Vodafone como aquela que se "aguentou um bocadinho mais".
A presidente executiva da Meo garante que a empresa ativou de imediato o plano de contigência no dia 28 e considera que as declarações proferidas pelo Presidente da República só podem resultar de informações incompletas.
"Desde o dia 28, ativámos de imediato o nosso plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos no terreno, mobilizados de forma contínua, muitas vezes em condições extremamente exigentes" e "foi igualmente acionada a nossa sala de crise, em funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, garantindo coordenação permanente de todos os meios técnicos e operacionais", frisou Ana Figueiredo.
"Estamos, desde o primeiro momento, em contacto permanente com as autoridades competentes, com a Proteção Civil e com as entidades de emergência, assegurando total alinhamento institucional", prosseguiu.
Paralelamente, "foram acionados meios alternativos de emergência, precisamente para mitigar impactos e garantir a maior resiliência possível das comunicações em contextos excecionais", acrescentam.
Neste momento, "o nosso foco absoluto está na recuperação plena dos serviços e no apoio às populações e às entidades críticas" e "é esse o nosso compromisso", assegurou a gestora.
"As declarações proferidas pelo senhor Presidente da República só podem resultar de informações incompletas ou imprecisas sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido", considerou a executiva.
Enquanto presidente da Meo, "é também minha responsabilidade defender o profissionalismo irrepreensível, a dedicação e o esforço incansável de todas as equipas que têm trabalhado de forma ininterrupta, em todas as frentes, para garantir um serviço essencial ao país", enfatizou a CEO, rematando que "o setor das comunicações respondeu, como sempre respondeu, com sentido de missão, responsabilidade e entrega total".
Em causa estão as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou que as telecomunicações "portaram-se mal", embora "não tão gravemente como" em 2017. A Vodafone "aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações", prosseguiu o chefe de Estado.
"O senhor Presidente está certamente muito mal informado"
Em reação às mesmas palavras do Presidente da República, o presidente executivo da NOS considerou que Marcelo está certamente mal informado e que as suas declarações demonstram "uma profunda insensibilidade" às centenas de pessoas que estão a recuperar as redes no terreno.
"O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado", afirmou Miguel Almeida, numa reação às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o papel das operadoras de comunicações eletrónicas.
"As suas declarações demonstram uma profunda insensibilidade e desumanidade face às centenas de homens e mulheres que desde quarta-feira passada estão dia e noite a recuperar da maior destruição de redes de comunicações já vista em Portugal", rematou o executivo.
Entretanto, os clientes da NOS têm recebido mensagens da operadora a afirmar que está totalmente empenhada na reposição dos serviços afetados pela depressão Kristin.
"Iremos creditar os dias sem serviço automaticamente de acordo com a legislação em vigor, não sendo necessária qualquer ação da sua parte. O valor sera calculado no final da indisponibilidade e será creditado na fatura seguinte", refere a NOS na mensagem que a Lusa leu.
Também a Associação dos Operadores de Comunicações Eletrónicas (Apritel) considerou “injustas e desajustadas” as declarações do Presidente da República. “A Apritel considera que as declarações do senhor Presidente da República são injustas e desajustadas, não reconhecendo a dimensão do esforço extraordinário que está a ser desenvolvido no terreno, nem a complexidade e o risco associado a estas operações”, defendeu a associação, em comunicado.