A publicação do livro de memórias do príncipe Harry tem feito manchetes por todo o mundo e, este domingo, serão transmitidas duas das entrevistas de divulgação de "Na Sombra". 

No último excerto da entrevista ao canal britânico ITV, o filho mais novo do rei Carlos III fala sobre a morte da princesa Diana, em 1997, num acidente no túnel Ponte de l'Alma, em Paris, e da culpa que sentiu durante a caminhada fora dos portões do palácio de Kensington.

Na conversa com o jornalista Tom Bradby, Harry confessa ainda que chorou apenas uma vez desde a morte da mãe - no seu funeral.

“Todas as pessoas sabem onde estavam e o que faziam na noite em que minha mãe morreu. Eu chorei uma vez, no funeral, e sabem que entrei em detalhes sobre como era estranho e como realmente havia alguma culpa que eu sentia, e penso que William também sentiu, ao andar pelo exterior do Palácio de Kensington. Havia 50.000 ramos de flores para a nossa mãe e lá estávamos nós a apertar as mãos das pessoas, a sorrir", recorda.

Rei Carlos com os filhos, os príncipes William e Harry, a prestar homenagem à princesa Diana, em 1997

O príncipe diz ainda que ele e o irmão "não conseguia perceber porque é que as mãos estavam molhadas, mas eram todas as lágrimas que as pessoas estavam a enxugar" e o porquê de as pessoas chorarem quando eles não conseguiam "mostrar qualquer emoção".

"Todos pensavam e sentiam que conheciam a nossa mãe, e as duas pessoas mais próximas dela, as duas pessoas mais amadas por ela, eram incapazes de mostrar qualquer emoção naquele momento".

A entrevista, que será transmitidas às 21:00 deste domingo, é a primeira de quatro conversas a ser exibida. Também este domingo será transmitida a entrevista de Harry com Anderson Cooper para o programa 60 Minutes da CBS News, enquanto que na segunda-feira será transmitida a conversa com Michael Strahan para o programa Good Morning America. Já na quarta-feira, será a vez da entrevista a Stephen Colbert no Late Show da CBS.

Na última semana, as revelações do príncipe Harry surgiram em catadupa. O livro de memórias do duque de Sussex tinha data de publicação anunciada para a próxima terça-feira, mas o seu conteúdo tem vindo a público através de várias publicações internacionais que tiveram acesso ao livro e, em Espanha, a obra foi mesmo colocada à venda cinco dias antes, para espanto dos jornalistas.

A primeira acusação a vir a público foi a de que o príncipe William o terá agredido fisicamente numa discussão em 2019, na Nottingham Cottage, depois dos irmãos terem discordado sobre Meghan Markle. As acusações não parecem ajudar a qualquer clima de reconciliação entre os diversos membros da família real.

Depois disso, as revelações sucederam-se, com o príncipe a contar que matou 25 pessoas no Afeganistão, consumiu drogas na adolescência e a revelar as últimas palavras que disse à avó, a rainha, na sua morte.

Andreia Miranda