Milhares de professores começaram esta tarde a desfilar em Lisboa em protesto contra as propostas governamentais para um novo regime de recrutamento e colocação e a ausência de abertura para negociar reivindicações antigas como a recuperaçao do tempo de serviço.

“Um, dois, três, já cá estamos outra vez” é uma das palavras de ordem que se ouvem na Praça do Rossio, onde hoje começa mais uma manifestação convocada por uma plataforma de sindicados de professores que organizou uma iniciativa semelhante há menos de um mês.

“O tempo é para contar, não é para roubar” é uma das frases mais gritadas pelos professores que exigem ao Governo que abra um processo negocial para a recuperação dos mais de seis anos em que tiveram as suas carreiras congeladas, durante a Troika.

No inicio da manifestação de hoje destacam-se dois jovens estudantes que trazem t-shirts anunciando “os meus pais são professores” e que também explicaram aos jornalistas quais os motivos que levam aos protestos que começaram no final do ano passado e não têm parado.

Entre os manifestantes grita-se “Precário até aos 50, nenhum jovem aguenta”, exigindo do Governo medidas que garantam estabilidade á classe que é conhecida por “andar com a casa às costas”.

À semelhança do que se passa em Lisboa, também no Porto está a decorrer uma manifestação de professores, que puderam participar nas greves regionais que decorreram quinta-feira nas escolas do norte do pais e na sexta nos estabelecimentos de ensino do sul.

Mais de cinco mil professores ocuparam esta tarde a Avenida dos Aliados, no Porto, em protesto contra as propostas governamentais para um novo regime de recrutamento e colocação e a ausência de abertura para negociar reivindicações antigas.

“São milhares de professores. Quando a frente da manifestação chegou aos Aliados, a cauda ainda estava no Marquês. Acredito que sejam para cima de cinco mil no protesto”, disse à Lusa um agente da PSP que controlava o trânsito na Avenida dos Aliados às 17:00.

Munidos de bombos, apitos, cartazes, altifalantes e microfones, milhares de docentes de vários pontos do país – Braga, Bragança, Viana do Castelo, Coimbra, Aveiro, Maia, Matosinhos, Porto, entre outras localidades – afluíram aos Aliados por volta das 17:00, depois de desfilarem por várias ruas do Porto, desde a Praça do Marquês.

“Governo Escuta, Professores estão em luta”, “Professores Unidos, Jamais serão vencidos”, “Não bastam reuniões, é preciso soluções”, “Concurso nacional, pela graduação profissional”, “Os professores exigem respeito”, eram algumas das frases gritadas pelos professores.

Anabela Ferreira, professora do 1.º Ciclo, saiu hoje às 13:00 de Viana do Castelo para participar no protesto no Porto.

Em declarações à Lusa, Anabela Ferreira disse que a luta “é para continuar até que as leis mudem”.

“Nem que tenhamos de andar a lutar até 2024. Não desistimos”, disse a docente, em frente à Câmara Municipal do Porto, nos Aliados.

Sindicatos e Ministério da Educação estão desde setembro a negociar para tentar chegar a acordo quanto ao novo modelo de recrutamento e colocação de professores.

Na semana passada realizou-se a última reunião que terminou sem acordo, tendo os sindicatos anunciado que vão pedir reuniões suplementares.

A nova proposta apresentada esta semana pelo Governo não convenceu os sindicatos que dizem manter algumas das “linhas vermelhas” que os docentes já tinham apontado, como é o caso da criação de Conselhos de Quadro de Zona Pedagógica.

Os professores estão em greve desde dezembro, na altura com uma paralisação por tempo indeterminado convocada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), que se mantém em protesto contra a proposta do Governo para os concursos e colocação de professores.

A última manifestação convocada pela plataforma de sindicatos decorreu há pouco menos de um mês, a 11 de fevereiro, e muitos dos motivos do protesto mantêm-se inalterados, mas entretanto surgiram novas razões para sair à rua.

Sindicatos e Ministério da Educação estão desde setembro a negociar para tentar chegar a acordo quanto a novo modelo de recrutamento e colocação de professores. Na semana passada realizou-se a última reunião que terminou sem acordo, tendo os sindicatos já anunciado que irão pedir reuniões suplementares.

A nova proposta apresentada esta semana pelo Governo não convenceu os sindicatos que dizem manter algumas das “linhas vermelhas” que os docentes já tinham apontado, como é o caso da criação de Conselhos de Quadro de Zona Pedagógica (QZP).

/ (atualizado às 17:54)