PS acusa PCP e BE de "falharem com os trabalhadores" ao reprovarem Agenda do Trabalho Digno: "O povo de esquerda sabe que só pode confiar no PS" - TVI

PS acusa PCP e BE de "falharem com os trabalhadores" ao reprovarem Agenda do Trabalho Digno: "O povo de esquerda sabe que só pode confiar no PS"

  • Agência Lusa
  • CF
  • 10 fev 2023, 15:25
O deputado do Partido Socialista (PS), Eurico Brilhante Dias, intervém durante o debate parlamentar na Assembleia da República (Lusa)

Eurico Brilhante Dias considerou incompreensível e "completamente injustificado" o voto contra dos partidos de esquerda

O PS destacou esta sexta-feira o “amplo consenso” político alcançado na aprovação da “Agenda para o Trabalho Digno” e acusou o PCP e Bloco de Esquerda de terem falhado com os trabalhadores ao votarem contra esta reforma laboral.

Esta posição foi transmitida em conferência de imprensa pelo líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, depois de o parlamento ter aprovado em votação final global as alterações laborais da “Agenda do Trabalho Digno” – diploma que teve o apoio do PS, abstenção do PSD, Chega, PAN e Livre e que foi reprovado pelo Bloco, PCP e Iniciativa Liberal.

Tendo ao seu lado os deputados do PS Fernando José, Tiago Barbosa Ribeiro e Sérgio Monte (da UGT), Eurico Brilhante Dias salientou que apenas votaram contra esta reforma na área laboral, “que reforça os direitos dos trabalhadores”, uma reduzida minoria dos 230 deputados.

“A esquerda à esquerda do PS, infelizmente, voltou a falhar aos trabalhadores, como em outras ocasiões. Esta é uma agenda de progresso dos direitos laborais. Sublinhamos que, ao fim de meses de trabalho, no conjunto das alterações apresentadas, o PS só votou de forma isolada pouco mais de uma dezena de vezes”, assinalou.

De acordo com os dados apresentados por Eurico Brilhante Dias, “mais de seis dezenas de alterações foram votadas por unanimidade”.

“Quer o Bloco de Esquerda, quer o PSD, votaram ao lado do PS mais de uma centena de vezes. Estamos perante um processo construído, trabalhado, muitas vezes com animada participação, mas que teve em diferentes componentes maiorias que foram muito para além da maioria do PS”, reforçou.

Em relação ao posicionamento do PCP e do Bloco de Esquerda, Eurico Brilhante Dias considerou incompreensível o voto contra desses partidos, sobretudo face aos progressos que entende terem sido registados ao nível da contratação coletiva.

Neste ponto, o presidente do Grupo Parlamentar do PS afirmou que “foi dado um passo em frente para dinamizar contratação coletiva e para limitar a sua caducidade, através da introdução de elementos de natureza arbitral”.

“Protege-se a negociação coletiva e não se deixa caducar a contratação coletiva sem que haja previamente um processo arbitral. Estranhamos que, num momento destes, em que se dá este passo para abrir o processo negocial, protegendo naturalmente as organizações de trabalhadores, a esquerda à esquerda do PS tenha falhado este momento histórico de apoio aos representantes dos trabalhadores”, declarou.

Ainda sobre as bancadas do Bloco de Esquerda e do PCP, Eurico Brilhante Dias referiu que, quem acompanhou os trabalhos de especialidade da Agenda para o Trabalho Digno, verificará que “foi completamente injustificado” o chumbo por parte destes partidos.

“Lamento que os trabalhadores portugueses não tenham contado também com um apoio significativo à esquerda numa agenda que melhora as condições dos trabalhadores. A verdade é que o povo de esquerda em geral sabe que, quando tem de ter a certeza que a agenda progressista avança, só pode confiar no PS”, sustentou.

Na conferência de imprensa, o presidente do Grupo Parlamentar do PS recusou comentar a abstenção do Chega na votação final da “Agenda do Trabalho Digno”, argumentando que a bancada socialista “não conta usualmente com os votos da extrema-direita”.

Já em relação ao PSD, Eurico Brilhante Dias referiu que o voto mais condizente com o que se passou ao longo dos trabalhos de especialidade seria o favorável e não a abstenção.

“O PSD, apesar de ter muitas vezes ter introduzido algum ruído na discussão, a verdade é que, a partir de qualquer análise do processo de votação, em particular em matéria de alterações, conclui que a bancada social-democrata votou mais de uma centena de vezes – diria, tranquilamente - ao lado do PS. Acho que depois de ter votado tantas vezes connosco, talvez pudesse ter votado a favor”, acrescentou.

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