PSD desafia Governo a encontrar já solução que estabilize "clima de guerra” no SNS - TVI

PSD desafia Governo a encontrar já solução que estabilize "clima de guerra” no SNS

  • Agência Lusa
  • DCT
  • 20 nov 2023, 17:43
Hospital

Questionado que propostas dos médicos o partido aceitaria ou não se fosse Governo, Miguel Santos respondeu que “o PSD ainda não é Governo e não faz parte das negociações”, mas considerou que a situação no SNS “não é compatível” com esperar pelas legislativas antecipadas marcadas para 10 de março.

O PSD desafiou esta segunda-feira o Governo a encontrar já uma “plataforma de entendimento” que estabilize o “clima de guerra no SNS”, sem concretizar que reivindicações dos médicos em cima da mesa das negociações os sociais-democratas aceitariam.

Em conferência de imprensa no parlamento, o vice-presidente da bancada do PSD Miguel Santos alertou que a situação no Serviço Nacional de Saúde (SNS) se está a degradar todos os dias e que poderá piorar com a chegada do inverno e o aumento das infeções respiratórias.

“O PSD preocupa-se sobretudo que exista uma estabilização do SNS e que as pessoas possam ter acesso aos cuidados de saúde”, disse.

Questionado que propostas dos médicos o partido aceitaria ou não se fosse Governo, Miguel Santos respondeu que “o PSD ainda não é Governo e não faz parte das negociações”, mas considerou que a situação no SNS “não é compatível” com esperar pelas legislativas antecipadas marcadas para 10 de março.

“O Governo que está em funções tem de encontrar plataformas de entendimento, tem de acabar com clima de guerra para o qual o qual contribuiu fundamentalmente e tem que estabilizar a prestação de trabalho pelas diferentes classes profissionais, sem isso as pessoas vão continuar a não ter acesso aos cuidados de saúde”, disse.

Perante a insistência dos jornalistas, o deputado do PSD adiantou que a solução dos sociais-democratas passaria “por todo um conjunto de iniciativas e reformas que durante oito anos não foram feitas” no setor da saúde, acusando o Governo de ter sido “incompetente e inativo”.

“Passa por mudar substancialmente a forma como está organizado o SNS, concentrado nos hospitais, passa por introduzir ganhos em saúde, e que, em termos remuneratórios, os médicos e enfermeiros possam ter um fator que reflita os ganhos em saúde que possam produzir”, exemplificou.

No entanto, alertou que o atual momento é de emergência, não permitindo aguardar pela resolução dos problemas estruturais do setor.

“Neste momento, o que é preciso é estabilizar, é chegar uma plataforma de acordo com classes profissionais e permitir que as urgências abram, não estejam neste sistema de rotatividade, que significa na verdade encerramento de urgência e desvio das pessoas para outros hospitais que depois não têm capacidade de resposta”, disse.

“O Governo, por mais incompetente que seja, tem de resolver isto já, o inverno está à porta e a cada semana que passa a situação agrava-se mais ainda”, alertou.

Dezenas de hospitais do país estão a enfrentar constrangimentos e encerramentos temporários de serviços devido à dificuldade das administrações completarem as escalas de médicos, na sequência de mais de 2.500 médicos terem entregado escusas ao trabalho extraordinário, além das 150 horas anuais obrigatórias, em protesto após mais de 18 meses de negociações sindicais com o Governo.

Esta crise já levou o diretor executivo do SNS, Fernando Araújo, a admitir que este mês de novembro poderá ser dramático, caso o Governo e os sindicatos médicos não consigam chegar a um entendimento.

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