O líder do PSD acusou esta segunda-feira o ministro das Finanças de "displicência e negligência grosseira" na polémica da TAP e de Alexandra Reis, qualificando Fernando Medina como "um peso morto" no Governo.

"O ministro das Finanças já perdeu a sua autoridade política. E um ministro das Finanças sem autoridade política é um peso morto no Governo. Já tinha dado sinais completamente errados no verão, mas agora a situação é intolerável", declarou Luís Montenegro, em conferência de imprensa para comentar a recente nomeação dos ministros das Infraestruturas e da Habitação.

O presidente dos sociais-democratas questionou ainda o papel do ministro das Finanças na indemnização de 500 mil euros da TAP a Alexandra Reis, meses antes de ser nomeada pelo Governo para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV), tomando depois posse como secretária de Estado do Tesouro.

"Se o ministro das Finanças não sabia o percurso dos últimos meses da pessoa que convidou, percurso no qual participou parcialmente, isso significa displicência e negligência grosseira. Se, por outro lado, o ministro das Finanças sabia e está a ocultar a verdade, isso significa inaptidão para ser membro do Governo", acrescentou.

Questionado sobre o que faria no lugar de António Costa, Luís Montenegro garantiu que "se fosse primeiro-ministro, um ministro das Finanças que tivesse este comportamento, seria demitido do Governo". "Mas o que o primeiro-ministro vai fazer é a sua vontade em ter um peso morto no Governo."

Sobre a promoção dos secretários de Estado a ministros das Infraestruturas e da Habitação, que implica a separação de um ministério em dois, o líder o PSD criticou o primeiro-ministro por ir ao "banco de reservas" para fazer "uma remodelação que, em bom rigor, não o é".

"Não entra ninguém novo no Governo na altura mais crítica da vida do Governo", lamentou.

Luís Montenegro argumentou que Costa "perdeu definitivamente a capacidade de recrutamento". "Estas promoções são simplesmente ir buscar aparelho ao aparelho. Ninguém sabe que Governo é este, que, depois de nove meses de mandato, já perdeu titulares de ministérios fundamentais", acrescentou o líder social-democrata, referindo-se às 11 demissões desde que o Governo assumiu funções.

Beatriz Céu