A ministra do Trabalho disse confiar que a UGT “saberá honrar a tradição de diálogo, reformismo, compromisso com o país”, sendo que se não o fizer, o Governo apresentará a reforma laboral no parlamento.
Numa intervenção na 3.ª Conferência Anual do Trabalho, organizada pelo Eco, Rosário Palma Ramalho salientou que o Governo “privilegiou a concertação social como espaço de construção deste projeto normativo”, com nove meses de diálogo, quase 60 reuniões, mais de 200 horas de negociação.
“O Governo esteve sempre de boa-fé, fez inúmeras aproximações às posições de outros parceiros, como as confederações patronais também o fizeram”, disse a ministra.
A responsável apontou que o resultado deste processo negocial “está hoje pendente apenas da decisão de um parceiro que é a UGT”, manifestando esperança de que a central sindical “saberá a honrar tradição de diálogo, reformismo, compromisso com país e empenho que trabalhadores portugueses tenham melhores condições”.
“É nisto que a UGT se tem distinguido de outras visões que apenas oferecem o bloqueio como alternativa a mudança”, argumentou.
Já se a UGT “não honrar esta tradição”, disse, o Governo vai apresentar a reforma laboral no parlamento, que “não será um documento igual ao anteprojeto porque contará com o enriquecimento dos contributos ao longo destes nove meses, dos parceiros, mas também da academia e sociedade civil”.
Secretário executivo da UGT vai votar contra anteprojeto da lei laboral
O secretário executivo da UGT, Carlos Alves, disse que irá votar negativamente o anteprojeto de reforma da lei laboral, posição que não sabe se será maioritária na central, defendendo que o "esforço que foi feito deve ser valorizado".
Carlos Alves falava num painel na 3.ª Conferência Anual do Trabalho, organizada pelo Eco, onde foi questionado sobre o voto da UGT na quinta-feira, tendo revelado que a sua posição pessoal é contra.
"Não sei se a minha posição será a maioritária no secretariado nacional da UGT", apontou, salientando que "não é uma posição político-partidária" e que há mais do que uma tendência sindical dentro da central.
O responsável considerou que se "criou um mito sobre rigidez da legislação laboral", tendo em conta que o indicador da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) que é utilizado "é profundamente desatualizado".
Carlos Alves admitiu que houve progressos durante a discussão, mas salientou que, "na generalidade dos casos, não houve progressos nas questões mais importantes".
Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, também presente neste painel, lamentou estas declarações, apontando que "estas posições são de quem está preso àquilo que era, não ao que é e vai ser".
"É uma pena, perdemos esta oportunidade", lamentou o presidente da CIP.