O caso do drone americano vs. caças russos: dia 2 - TVI

O caso do drone americano vs. caças russos: dia 2

  • CNN Portugal
  • 15 mar 2023, 19:09
Drone MQ-9 Reaper (EPA/ U.S. Air Force)

EUA recuam na escalada da tensão verbal, Rússia nem por isso

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O Pentágono admite que o incidente com um drone norte-americano que caiu no Mar Negro depois de ter sido intercetado por caças russos foi provavelmente um ato não intencional da Rússia. Quem o diz é o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, em declarações aos jornalistas, um dia depois da colisão de um caça Su-27 da Força Aérea russa com um drone militar dos Estados Unidos sobre as águas internacionais do Mar Negro.

Entretanto, a Rússia, que afastou de imediato responsabilidades pelo incidente, anunciou que vai dar início a uma operação para recuperar os destroços do drone norte-americano, depois de o porta-voz da Casa Branca, John Kirby, ter admitido que será muito difícil recuperar o dispositivo.

"Não sei se conseguiremos recuperá-los ou não, mas vamos tentar fazer isso", garantiu o secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patrushev, acrescentando, de seguida, que este incidente só prova que os EUA estão diretamente envolvidos no conflito na Ucrânia.

"Russia will try to get the remains of the MQ-9 #American drone that fell into the Black Sea," Russian Security Council Secretary Nikolai Patrushev wrote in Telegram.

Earlier, Russian political analyst Stanislav Belkovsky suggested that #Russia shot down the drone in order to… https://t.co/9QoZlVO3z9 pic.twitter.com/90ozoJNcWS

— NEXTA (@nexta_tv) March 15, 2023

Mais tarde, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, o general Mark Milley, garantiu aos jornalistas que o drone "já não tem qualquer valor" ao nível da inteligência.

"Provavelmente partiu-se. Francamente, é provável que não haja muito para recuperar", disse, em conferência de imprensa, citado pela CNN Internacional. "Em relação à perda de inteligência sensível, como é natural, tomámos medidas nesse sentido. Portanto estamos bastante confiantes de que o que quer que existisse de valor, já não tem qualquer valor", acrescentou.

Na terça-feira, o Ministério da Defesa da Rússia rejeitou responsabilidades pelo incidente e garantiu que "os caças russos não utilizaram as suas armas a bordo, não entraram em contacto com o drone e regressaram de forma segura ao aeródromo". O Kremlin vai mais longe e acusa os EUA de violarem os limites do regime temporário do uso de espaço aéreo, estabelecido pelos russos no início da invasão da Ucrânia.

O Ministério acrescenta que o drone norte-americano iniciou um voo descontrolado com perda de altitude e colidiu com a superfície da água após várias "manobras bruscas". A Rússia demarca-se assim das acusações dos EUA de que um dos caças russos que voavam nas águas internacionais do Mar Negro atingiu uma das hélices do drone militar que operava numa missão de vigilância.

"A nossa aeronave MQ-9 estava a conduzir operações de rotina no espaço aéreo internacional quando foi interceptada e atingida por uma aeronave russa, resultando num acidente e na perda completa do MQ-9", afirmou o comandante da Força Aérea dos EUA para a Europa e África, general James Hecker. O militar afirma ainda que, horas antes da colisão, dois aviões Su-27 russos "despejaram combustível" e voaram à frente do drone "de forma imprudente e pouco profissional". "Este ato inseguro e pouco profissional dos russos quase causou a queda de ambas as aeronaves", acrescentou Hecker.

Horas depois, os EUA convocaram o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, para uma reunião com a secretária de Estado adjunta para os Assuntos Europeus, Karen Donfried, na qual o Pentágono fez uma chamada de atenção a Moscovo.

"A mensagem que passámos ao embaixador russo é que eles precisam ter mais cuidado ao voar no espaço aéreo internacional perto de ativos norte-americanos que estão, novamente, a voar de forma totalmente legal, realizando missões de apoio aos nossos interesses de segurança nacional", explicou John Kirby, citado pelo The Guardian.

Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, anunciou que foi aberta uma investigação para perceber os contornos do incidente.

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