A Rússia lançou um dos maiores ataques de sempre com mísseis balísticos contra Kiev, numa ofensiva que se prolongou durante cerca de cinco horas e provocou pelo menos um morto e sete feridos, além de incêndios e danos em vários pontos da capital ucraniana.
De acordo com responsáveis ucranianos, foram disparados cerca de 40 mísseis Iskander-M e mísseis hipersónicos Zircon. As sirenes de alerta aéreo soaram por volta da 01h30. Pouco depois, ouviram-se os sistemas de defesa aérea, seguidos de várias explosões.
As casas no centro histórico de Kyiv estremeceram e os alarmes dos automóveis dispararam quando dezenas de mísseis atingiram a cidade em menos de uma hora. Um segundo alerta aéreo foi emitido às 06h30, tendo sido registados novos impactos.
Um edifício de três andares incendiou-se no distrito central de Shevchenkivsky. As equipas de socorro retiraram várias pessoas que se encontravam presas no interior e recuperaram um corpo. Outras quatro zonas da cidade foram atingidas, com incêndios em edifícios de escritórios, habitações e numa residência.
Moradores que se encontravam abrigados na estação de metro de Lukyanivska divulgaram imagens do desabamento do teto do átrio do piso térreo, provocado pela forte onda de choque de uma explosão. A estação foi temporariamente encerrada.
“Segundo as informações preliminares, uma pessoa morreu, infelizmente, em consequência do ataque”, informou a administração militar da cidade através da aplicação Telegram. O presidente da Câmara de Kyiv, Vitali Klitschko, adiantou que sete pessoas ficaram feridas.
Desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022, a Rússia tem lançado quase diariamente drones e mísseis contra Kyiv e outras cidades ucranianas. O presidente Volodymyr Zelensky tem apelado aos aliados ocidentais para que reforcem as defesas aéreas do país e forneçam mais sistemas Patriot, de fabrico norte-americano, capazes de intercetar mísseis balísticos.
As reservas ucranianas de mísseis intercetores aparentam, no entanto, estar a diminuir. Os ataques ocorrem também num momento de grandes protestos antigovernamentais em Kyiv, depois de Zelensky ter decidido demitir o ministro da Defesa, Mykhailo Federov, considerado popular e reformista.
Os manifestantes exigem a reintegração de Federov e defendem que o comandante-chefe das Forças Armadas, o coronel-general Oleksandr Syrskyi, descrito pelos críticos como um comandante de estilo soviético, seja afastado.
A Ucrânia tem igualmente realizado ataques em território russo. No sábado, drones ucranianos atingiram e destruíram armazéns de comércio eletrónico nas regiões de Moscovo e Tambov, provocando oito mortos e grandes incêndios.
Antes disso, ataques russos tinham matado cinco pessoas e ferido quase 20 em várias regiões da Ucrânia.
“Em resposta aos ataques russos contra as nossas infraestruturas civis, cidades e comunidades, foram atingidas duas importantes instalações logísticas nas regiões de Moscovo e Tambov”, afirmou Zelensky.
O presidente ucraniano alegou que os centros eram utilizados para “fornecer componentes sujeitos a sanções destinados à produção de drones e a equipamentos de navegação”.