A indústria militar russa conseguiu, nos últimos anos, reconstituir parte do seu arsenal blindado, num esforço acelerado para compensar as perdas registadas na guerra na Ucrânia. Em 2024, com mais de 3.000 tanques destruídos, um número próximo do total que o exército russo tinha em serviço ativo antes da invasão em larga escala, Moscovo viu-se obrigada a recorrer a soluções criativas para repor os veículos perdidos.
Apesar desse esforço, segundo o Euromaidan, a capacidade de produção de novos tanques continua limitada. A única fábrica russa dedicada à construção de modelos totalmente novos, a Uralvagonzavod, produz cerca de 250 T-90M por ano. O resto do material que chega às unidades no terreno resulta da recuperação de blindados antigos, oriundos sobretudo de reservas da era soviética, que ainda são vastas, mas finitas.
Perante a necessidade de reativar milhares de veículos armazenados há décadas, incluindo cerca de 1.000 T-72A dos anos 70, a indústria russa avançou com programas de modernização e recuperação.
Entre as medidas implementadas, destacam-se projetos para regenerar motores antigos e substituir componentes essenciais como óticas, rádios e blindagem adicional, permitindo que tanques com mais de 50 anos se aproximem de versões modernas, ainda que com limitações.
Combinando produção nova e reabilitação de material antigo, estimativas apontam para que a Rússia possa vir a dispor de cerca de 4.700 tanques, ultrapassando o nível pré-guerra. No entanto, a forma como estas forças blindadas poderão ser utilizadas no futuro permanece incerta, sobretudo num contexto em que as perdas no campo de batalha levaram a mudanças táticas significativas.
Nos últimos anos, o uso de tanques em massa tem sido reduzido devido à ameaça dos drones, levando as forças russas a privilegiar ataques de infantaria. Ainda assim, o futuro da guerra mecanizada permanece em aberto, com analistas a questionarem se Moscovo aguarda por novas tecnologias antidrone ou se poderá, por necessidade, voltar a apostar em ofensivas blindadas, com riscos elevados de novas perdas maciças.
Contudo, se esse recrutamento falhar ou se as perdas aumentarem, não está excluído que Moscovo volte a recorrer a operações mecanizadas, mesmo sob risco elevado num ambiente dominado por drones. O problema central, segundo analistas, é que os antigos grandes stocks soviéticos já estão a ser esgotados, tornando o sistema de substituição muito mais frágil.
Nesse cenário, o enorme arsenal de tanques russo pode revelar-se paradoxal: suficientemente grande para manter pressão militar no curto prazo, mas cada vez mais “descartável” num campo de batalha onde a tecnologia atual torna qualquer avanço blindado extremamente vulnerável.