Forças Armadas, 1279€ | Agricultores, 752€ | Gestores de topo, 1765€ | Intelectuais, 1448€.  Estas e outras variações salariais entre 2022 e 2023 - TVI

Forças Armadas, 1279€ | Agricultores, 752€ | Gestores de topo, 1765€ | Intelectuais, 1448€. Estas e outras variações salariais entre 2022 e 2023

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  • Salomé Pinto
  • 8 fev, 11:04
Forças Armadas - Fuzileiros

Maiores aumentos de salários aconteceram nas Forças Armadas. Técnicos e gestores de topo penalizados

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O salário médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem, em Portugal subiu, no ano passado, 30 euros para 1.041 euros, o que corresponde a um aumento de 2,97%, face ao vencimento médio de 1.011 euros de 2022. Mas não chega para compensar a inflação média de 4,3% registada em 2023, segundo as contas do ECO com base nos dados publicados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Quanto à variação do ordenado médio líquido mensal por grupos de profissões, o INE indica que a classe das Forças Armadas foi a que beneficiou de um maior incremento salarial, que ultrapassou largamente a inflação de 2023 (4,3%). Este grupo, que auferia, em 2022, 1.176 euros por mês, deu um salto de 103 euros para 1.279 euros, no ano passado, o que traduz um aumento de 8,76%.

No ranking dos maiores aumentos, surge, em segundo lugar, a classe de operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem que viram o salário médio subir 57 euros, de 865 para 922 euros, o que corresponde a um aumento de 6,59%, também acima da variação do índice de preços.

A completar o pódio, na terceira posição, estão os agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta que passaram a ganhar 752 euros, ou seja, mais 42 euros face ao vencimento médio do ano anterior, de 710 euros. Esta variação de 5,92% também suplantou a inflação.

Os trabalhadores não qualificados também tiverem um incremento acima do índice de preços (5,47%). Em termos absolutos, o salário médio subiu 34 euros, de 622 para 656 euros. De salientar, contudo, que este valor fica cerca de 20 euros abaixo do ordenado mínimo nacional líquido de 2023. No ano passado, aquele montante era de 760 euros mensais brutos. Descontando os 11% para as contribuições sociais e excluindo retenções na fonte porque esta remuneração está isenta, o salário mínimo líquido deveria ficar nos 676,4 euros e não em 656 euros.

Os aumentos médios para os administrativos também superaram a inflação: tiveram um ganho de 5,45% que, em termos nominais, se traduz em mais 46 euros por mês na conta. O vencimento saltou dos 844 euros para 890 euros.

Lídia Leitão

 

De sublinhar que os professores e médicos, que se enquadram no grupo dos especialistas das atividades intelectuais e científicas, tiveram aumentos praticamente em linha com a evolução do índice de preços junto do consumidor. No ano passado, o vencimento médio líquido deste grupo profissional subiu 59 euros, de 1.389 para 1.448 euros, o que corresponde a uma variação de 4,25%.

Os trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices ficaram pouco abaixo da linha da água. A remuneração média líquida desta classe profissional beneficiou de um incremento de 35 euros, saltando de 841 para 876 euros, o que representa uma subida de 4,16%.

Em sentido inverso, os grupos mais penalizados foram os técnicos de nível intermédios e os gestores de topo de empresas e representantes do poder legislativo, como deputados ou membros do Governo, que tiveram aumentos residuais de 1,28% e 1,61%, respetivamente.

No ano passado, o ordenado médio dos técnicos de nível intermédio, onde estão os programadores ou educadores de infância, subiu 14 euros para 1.111 euros face ao vencimento médio de 1.098 euros registado em 2022.

Os gestores de topo e os representantes do poder legislativa ganharam mais 28 euros, passando de um vencimento médio líquido de 1.737 euros para 1.765 euros. Ainda assim, é preciso sublinhar que esta categoria profissional é a mais bem remunerada, segundo os dados do INE.

O vencimento deste grupo de trabalhadores é mais do dobro do ordenado médio mais baixo, de 656 euros, pago aos trabalhadores não qualificados. A diferença entre o vencimento dos gestores de topo, de 1.765 euros, e o ordenado dos não qualificados é de 1.109 euros, o que corresponde a um fosso de 169%.

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