Santiago Salvador, um dos portugueses que seguiam a bordo do comboio da Renfe envolvido na colisão de domingo, publicou um vídeo no Instagram no qual conta como viveu o acidente.
"Neste momento estou bem, estou vivo, contente por estar bem, com muita força. Foi um acidente muito trágico, parecia o inferno. Havia pessoas muito feridas, graves. A minha ferida foi ligeira, só parti a perna, a tíbia e o períneo", descreve o português.
Segundo Santiago Salvador, quer ele quer a namorada estão bem.
"Tive o acidente, estava com a minha namorada, eu comecei a voar pela carruagem e parecia que estava num carrossel. Parti só a tíbia e o perónio. Por sorte, estou vivo outra vez. A minha namorada também está bem. Foi uma força divina, um milagre estar vivo. Foi um momento onde vi muita morte, muitos mortos", afirma o português.
Santiago agradece ainda "a todas as pessoas" a seu lado e lembra que "há que viver a vida, porque a vida é curta".
"Não se chateiem por parvoíces, valorizem mais o amor entre vocês, porque a vida, um dia estás aqui e outro dia estás no céu. Bom pessoal, um abraço. Não foi a minha vez de ir para o céu".
O número de mortos no acidente ferroviário em Córdova, no sul de Espanha, no domingo, subiu para 41 esta terça-feira depois das equipas de resgate terem encontrado um cadáver entre os escombros.
O acidente ferroviário ocorreu por volta das 19:45 de domingo (18:45 em Lisboa), no município de Adamuz e envolveu dois comboios de alta velocidade, um da empresa privada Iryo (que tinha saído de Málaga e tinha como destino Madrid), e outro da empresa pública Renfe (que seguia em sentido contrário, desde Madrid para Huelva, perto da fronteira com Portugal, no Algarve).
Os três últimos vagões do comboio Iryo descarrilaram e invadiram outra via onde circulava o comboio da Renfe, num local conhecido como o apeadeiro de Adamuz, onde existe uma "subestação" de manutenção da linha e onde há um ponto de mudança de agulhas.
O comboio da companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18:40 de domingo com destino a Puerta de Atocha (Madrid) com perto de 70 pessoas a bordo, descarrilou e três vagões invadiram a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou.
Os vagões do comboio da Iryo colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe, que foram projetados e caíram por um aterro de cerca de quatro metros.
O Governo espanhol decretou três dias de luto nacional, de terça-feira a quinta-feira, anunciou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.