Um doente com cancro pode custar “entre 60 mil a 90 mil euros” por ano. Com cada vez mais casos, o SNS vai conseguir tratar todos? - TVI

Um doente com cancro pode custar “entre 60 mil a 90 mil euros” por ano. Com cada vez mais casos, o SNS vai conseguir tratar todos?

Cancro (Pexels)

Portugal terá 193 novos diagnósticos de cancro por dia em 2040, um total de 70,7 mil por ano, e um aumento de 20% face a 2019. Os números podem ser ainda mais significativos se nada, entretanto, for feito. A pressão sob o sistema de saúde é certa, e já se sente, dizem os especialistas em oncologia, que alertam para a necessidade de começar já a preparar uma resposta de combate à doença.

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Com estimativas que apontam para 70 mil novos casos de cancro por ano em Portugal já em 2040, taxas de adesão a rastreios que no ano passado ficaram aquém do desejado, custos anuais de tratamento que podem chegar aos 90 mil euros por paciente, terapias inovadoras que custam 300 mil euros por dose e Portugal com fatores de risco elevados, como obesidade, má alimentação, tabagismo e consumo de álcool, a fatura do cancro a médio e longo prazo será cada vez mais pesada. A pressão no SNS é certa, alertam médicos e economistas da saúde.

Solange Peters, presidente da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, avisou, em entrevista ao El País, que chegará a um ponto em que o elevado número de casos de doentes com cancro não permitirá o tratamento a todos. Por cá, os especialistas não se mostram tão alarmistas, mas garantem que se nada for feito entretanto, é bem possível que o cenário mude de figura, e para pior, nas próximas duas décadas: mais cancros, mais tempo de tratamento e tratamentos mais caros.

O economista da Saúde Pedro Pita Barros é dos que rejeita “alarmismos”, mas pede realismo e ação: “O SNS tem tempo para se preparar [para o aumento de novos casos] e as pessoas não estão a deixar de ser tratadas”, no entanto, assegura que “se não mudarmos nada, isto poderá ser dramático”. “Sinto que temos a capacidade de fazer mal, não subestimo a capacidade de fazer asneira no uso de fundos públicos na saúde”, lamenta.

Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro (IARC, na sigla em inglês), estima-se que Portugal tenha, por ano, 66,6 mil novos casos de cancro em 2030 e que esse valor aumente para 70,7 mil por ano em 2040. Em 2019 foram 58 mil e em 2020 60 mil. Continuam a ser os mais velhos os mais suscetíveis à doença, de acordo com o último relatório do Registo Oncológico Nacional, mas os cancros entre pessoas mais jovens são cada vez mais comuns, sobretudo os cancros digestivos e da cabeça e pescoço, um problema transversal em 44 países, que traz outros desafios de diagnóstico precoce - pois as pessoas de idade mais jovem não estão incluídas em rastreios. 

Se não montarmos de uma forma correta uma primeira linha de prevenção, dificilmente vamos ter uma resposta adequada à prevenção de mortalidade por cancro. E como recebemos doentes em estadios mais avançados, [o tratamento] vai ter mais custos. É mais penalizador e mais caro quando está em estádio avançado. Precisamos rapidamente de inverter a curva de tempo no que diz respeito ao tempo de diagnósticos”, assegura Luís Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria.

Afinal, quanto custa o cancro? 

Esta é a pergunta para um milhão - ou vários milhões. E à medida que os casos aumentam, o encargo cresce. Só entre janeiro e novembro do ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde facultados à CNN Portugal, o Estado gastou 516,8 milhões de euros em medicamentos para o tratamento de cancro, o que equivale a metade do volume financeiro agregado de compras de medicamentos previsto para 2022 no Orçamento do Estado, no valor de 1,1 mil milhões de euros. Em 2013, os medicamentos para a doença oncológica custaram 200,9 milhões de euros, menos 38% do que no ano passado. 

Esta valor preocupa tanto médicos como economistas da saúde, sobretudo quando o cenário a médio prazo aponta para um aumento considerável de novos diagnósticos. Para não falar, claro, na atual inflação que, por si só, já faz com que a fatura seja mais pesada.

Até quando conseguimos pagar os preços que a indústria [farmacêutica] está a pedir com os preços a subir desta maneira? Vamos deixar de tratar quem? A vida das pessoas tem o mesmo valor, mas até onde é ético esticarmos o orçamento?”, questiona Céu Mateus, economista da saúde, que defende que só apostando em rastreios e mudanças de hábitos é que é possível fazer frente a estes gastos.

Face à despesa com medicamentos oncológicos, o próprio Ministério da Saúde reconhece que tal valor “exige do Governo um esforço para garantir uma adequada avaliação e o correspondente acesso às tecnologias de saúde, sem negligenciar a avaliação dos resultados, as expectativas dos doentes e, em conformidade, a sustentabilidade dos recursos públicos”.

Para além do “extraordinariamente elevado” custo com estes fármacos, a pasta tutelada por Manuel Pizarro destaca ainda “o aumento do período que estes doentes permanecem a fazer terapêutica devido ao aumento do tempo de vida dos doentes com cancro, transformando, em muitos casos, o cancro numa doença crónica” e, por isso, aumentando os custos totais. Aumento esse que se perspetiva ainda mais significativo nas próximas décadas.

Atualmente, segundo Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, um paciente com cancro pode custar por ano “entre 60 mil a 90 mil euros”, incluindo-se aqui medicamentos, exames de diagnóstico e complementares, internamento e eventuais cirurgias necessárias. Mas há tratamentos bem mais caros, que podem estar mais próximos da cura. É o caso da  tecnologia de CAR T cells, usada para tratamentos de tumores hematológicos. “Custa centenas de milhares de euros por doente, não há sistema de saúde público ou seguro privado de saúde que aguente custos nesta ordem de grandeza”, adianta Júlio Oliveira. Estes tratamentos específicos com CAR T Cells, com os quais o IPO Porto foi pioneiro, podem custar entre 300 mil a 350 mil por injeção. “É um tratamento potencialmente curativo para o linfoma”, diz Xavier Barreto.

“Há um ditado popular que diz que a saúde não tem preço, e é refletido na forma como a sociedade portuguesa olha para a doença, que não deve haver restrições em termos de recurso para tratar doentes, mas se não tem preço, tem um custo enorme”, diz Céu Mateus, também professora associada da Universidade de Lancaster.

“O custo dos medicamentos inovadores é uma preocupação e um grande fator de stress no sistema de saúde”, diz Júlio Oliveira e dá o exemplo do IPO Porto, onde “o custo com medicamento assume quase metade de todo o orçamento recebido pelo Estado - é uma fatia gigantesca do orçamento”.

Mesmo assim, Portugal tem um dos mais baixos custos ‘per capita’ com cuidados oncológicos da União Europeia, alerta o relatório Perfis Nacionais de Cancro 2023 do Registo Europeu de Desigualdades do Cancro, da OCDE, que foi divulgado esta semana: “Em Portugal, o custo ‘per capita’ foi de 256 euros, um valor 20 % inferior à média da UE (326 euros)”.

Mas o preço do cancro não se sente apenas no custo dos fármacos, pois estes representam apenas “31% dos custos totais com o tratamento da doença oncológica na União Europeia”, diz o Tribunal de Contas, referindo-se a dados da OCDE. O impacto indireto do cancro da mama, por exemplo, é de cerca de “1.376,1 milhões de euros por via dos salários, 1.113,3 milhões de euros por via dos doentes que estão de baixa, 14,6 milhões de euros devido às faltas necessárias para idas ao hospital (em doentes que continuaram a trabalhar) e 248,2 milhões de euros pelo absentismo dos cuidadores”, de acordo com um estudo da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Por ano, são feitos cerca de sete mil novos diagnósticos desta doença, quase todos em mulheres - apenas 1% dos novos casos é em homens

“Os custos dos cuidados informais também têm uma magnitude relevante de 300 milhões de euros", incluindo-se aqui os custos da "produtividade perdida por morte prematura e por incapacidade e carga de doença”, explica Pedro Pita Barros. “Quando queremos olhar para o peso do cancro não é só os custos diretos do sistema de saúde”.

Conseguirá o SNS continuar a tratar todos os pacientes de forma gratuita?

O valor dos medicamentos e das novas terapias é um dos fatores que mais pesa na capacidade de o Serviço Nacional de Saúde conseguir continuar a dar resposta a todos os novos casos de cancro. Até agora, tem sido possível. Quanto ao futuro, os entrevistados pela CNN Portugal acreditam que assim continuará, descartando cenários de escolha entre pacientes ou até entre doenças face ao custo que o cancro implica. “A análise é sempre clínica. O critério financeiro, quando estamos a avaliar o tratamento clínico, não é tido é conta”, assegura Xavier Barreto.

“O SNS sempre esteve apto para dar resposta. Para a maioria dos doentes com cancro, o SNS é e continuará a ser a única opção, portanto é muito importante ter isso em consideração. [Custos com medicamentos] Não são valores que os privados comportem”, atira Céu Mateus, frisando a importância de um serviço público de saúde. 

Quando questionado sobre se o SNS será capaz de continuar a tratar de forma gratuita todos os pacientes com cancro, o também presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos mostrou-se otimista, mas apenas quanto baste.

Espero que sim, que se consiga tratar todos os doentes gratuitamente, não sei se vai conseguir ou não, mas espero que sim, mas respondo como cidadão”, diz Luís Costa, lamentando: "Não tenho como responder de forma técnica”, tais são os fatores em jogo, incluindo o acesso a cuidados de saúde, a literacia em saúde e o próprio custo da doença oncológica. 

Luís Costa defende que “todas as doenças são importantes, mas se há uma doença que está a ser extremamente penalizante, pode matar muita gente e colocar muitos em sofrimento, faz sentido que haja uma decisão política para que as pessoas tenham gratuidade no tratamento desta doença”. E diz que os próprios portugueses defendem isso. “Se perguntássemos ao cidadão se se importava de ter mais contribuição com impostos para garantir uma resposta a tempo e horas para uma doença tão grave, as pessoas pagariam mais”, assegura.

Já Júlio Oliveira, médico oncologista e presidente do Conselho de Administração do IPO Porto, não deu uma resposta à mesma pergunta. “Neste momento não sei, vai depender de múltiplos fatores”, apontando a demografia e o custo dos medicamentos como os principais, sendo que um deles é dos mais difíceis de controlar a curto prazo.

É inevitável que em sociedades mais envelhecidas, como Portugal, Itália e Espanha, haja uma pressão maior sobre o sistema de saúde para acolher patologias mais prevalentes, isso é incontornável”, refere.

“Felizmente, por um lado existem mais medicamentos inovadores que aumentam a qualidade de vida e sobrevivência, mas o reverso da moeda é o custo associado a esta inovação”, custo esse que Júlio Oliveira diz que pode ser contornado se Portugal se posicionar na vanguarda da ciência oncológica, algo que já tem vindo a fazer nos últimos anos. “Conseguimos integrar a inovação de uma forma inteligente e estratégica, por exemplo, potenciando a investigação clínica, que permite que os doentes tenham acesso a medicamentos inovadores, antecipando em vários anos o seu uso, sem custos. Os pacientes são tratados em contexto de ensaios clínicos, não há custo com esses tratamentos, é uma entrada de capital e investimento no próprio país. A esmagadora maioria destes novos medicamentos, que são muito caros, são desenvolvidos pela indústria farmacêutica, e Portugal tem condições para estar a jogo neste campeonato altamente competitivo que é o da investigação clínica”.

Mas o cancro é já um motivo de pressão no SNS e prova disso é o tempo de espera para consulta e cirurgia. No que diz respeito às cirurgias oncológicas, o Ministério da Saúde diz que foram feitas mais 31,5% em 2022 do que em 2019, num total de 64.030.  No entanto, apenas no primeiro semestre desse ano, de acordo com a Entidade Reguladora da Saúde, “havia 1.999 utentes a aguardar cirurgia, dos quais 47% já tinham ultrapassado os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) definidos na lei”. 

Diz o organismo que 45% dos 190 pacientes na categoria “muito prioritário” em espera para cirurgia oncológica foram sujeitos a tempos de espera acima da lei. No nível prioritário estavam 3.317 à espera, 22% acima do TMRG. E 22% dos pacientes com prioridade normal esperaram também acima do recomendado (estavam inscritos 2.816).

“O que pode haver de pior é as pessoas não serem operadas. Quando os cancros são operáveis é porque há alguma hipótese de cura e onde se devia fazer um grande esforço era para não ultrapassar os tempos máximos para cirurgia para o cancro”, diz Luís Costa, alertando que se nada for feito para travar este cenário, um aumento do número de casos por ano poderá tornar os números ainda piores.

Segundo a Entidade Reguladora da Saúde, no primeiro semestre de 2022, 1.302 utentes aguardavam primeira consulta de oncologia, 51% dos quais com espera superior ao tempo máximo de resposta garantido (TMRG). 

Luís Costa volta a dizer que “é preciso diagnosticar cedo, ter uma resposta estruturada”, defendendo que os hospitais devem informar sobre a sua capacidade e ser dotados de mais especialistas, de modo a que estes tempos de espera excessivos deixem de ser uma realidade.

Diz o Ministério da Saúde que, em novembro de 2022, “o SNS totalizava 262 médicos especialistas nesta área [oncologia], uma subida de 94% (+ 127 especialistas) face a 2015”. Por se tratar de uma doença que requer uma visão multidisciplinar, a tutela salienta ainda um aumento na contratação de médicos de outras áreas, como hematologia, havendo 176 hematologistas em 2022, mais 51 do que em 2015.

Sem prevenção e rastreios, não há combate ao cancro que valha

“É incontornável que o número de casos de cancro vai aumentar e isso significa que temos de estar preparados para responder a esta avalanche de casos. E há coisas que estão nas mãos da tutela, como uma boa organização de serviços, uma rede organizada para doentes oncológicos, um bom programa de rastreios e uma aposta em literacia em saúde”, adianta Luís Costa, destacando um dos maiores entraves no combate à doença oncológica: a falta de acesso a um médico de família

“Muitas pessoas querem perguntar aos médicos de família sobre os rastreios e, neste momento, temos uma resposta nos cuidados de saúde primários que é completamente menor do que aquilo que seria desejável, mesmo os que têm médico atribuído não tem facilidade em ter consulta”, atira. Para Luís Costa, “isto é um problema sério”, pois “se as pessoas tiverem acesso a um médico há maior probabilidade de se fazer um diagnóstico precoce” e de identificar o cancro “numa fase ainda curável”. 

No ano passado, segundo os dados do Ministério da Saúde, quase metade das mulheres (49,5%) convocadas para o rastreio do cancro da mama não fez a mamografia de diagnóstico e a taxa de adesão ao rastreio do cancro do cólon e reto foi de apenas apenas 36,5%. “Neste caso particular regista-se uma quebra de 6,1%, com menos 11.519 rastreios realizados”, disse o gabinete do ministro da Saúde Manuel Pizarro numa resposta enviada por escrito. Apesar de o número de pessoas rastreadas ser maior - porque são incluídas mais pessoas nos programas - as taxas de adesão têm diminuído.

A juntar a estes dados, é ainda preciso incluir na fatura os quase cinco mil cancros que ficaram por diagnosticar à boleia da pandemia. E Luís Costa que só daqui a uns anos é que será possível medir as consequências: “[o cancro] ainda não vai aparecer agora, vai demorar alguns anos”.

Para a economista Céu Mateus, as estimativas devem ser tidas em consideração, mas esta especialista defende que “o que vai acontecer em Portugal não será muito diferente do que vai acontecer noutros países: a situação vai ser pior, por vários motivos”, sendo um deles a pandemia, que, devido à sua emergência, “tornou impossível o tratamento de outros doentes”, colocando agora uma maior pressão nesta corrida contra o tempo que o sistema nacional de saúde tem pela frente. “Começou-se a notar que o diagnóstico de cancro era feito em fases mais avançadas e, por isso, há menos hipóteses para que o paciente possa sobreviver”.

O oncologista Luís Costa defende que uma vez que o cancro “se está a tornar a primeira causa de morte”, é preciso investir em literacia na saúde, em informação de fácil acesso que permita perceber a importância dos rastreios, até mesmo daqueles que podem ser mais invasivos, como é a segunda fase do rastreio do cancro do cólon e reto, por norma feito com uma colonoscopia. 

Além disso, o médico do Santa Maria defende uma otimização dos rastreios existentes - com o alargamento da idade para o cancro da mama, por exemplo, incluindo mulheres mais jovens. “Só no registo oncológico, abaixo da idade do rastreio, em 2018, havia 1.800 casos, estamos a falar de pessoas jovens, com menos de 50 anos”. Mas também defende a adoção de novos rastreios, duas ideias que o próprio Ministério da Saúde já coloca em cima da mesa.

Quanto a novos rastreios, o gabinete de Manuel Pizarro avalia a inclusão do cancro do pulmão, do cancro da próstata e do cancro gástrico. “Esta análise terá em conta as recomendações do Conselho da União Europeia, tendo em vista a atualização das orientações de 2003 sobre o rastreio do cancro e também os recursos e modelos de organização disponíveis no sistema de saúde”, escreve o Ministério da Saúde.

“Investimento em saúde é um investimento rentável”, adianta Luís Costa. No entanto, Júlio Oliveira, do IPO Porto, diz que é preciso uma “abordagem muito racional” antes de alargar os rastreios a outros tipos de cancro, “não apenas pelos custos associados, mas por outras questões, como o quão mal se pode fazer ao utente quando se levanta a suspeita de um cancro”. 

Se não houver ferramentas que ajudem a auxiliar o trabalho dos médicos, trazer mais rastreios também vai criar mais stress no sistema de saúde. Espera-se que a inteligência artificial possa vir a ajudar mais rapidamente a identificar lesões suspeitas, ajudando os médicos a detetar em menos tempo e com mais precisão”, refere Júlio Oliveira, que defende que, antes da “massificação dos rastreios”, se deve apostar em projetos-piloto que permitam avaliar custos e benefícios.

Todos os especialistas entrevistados defendem que parte do sucesso da estratégia do SNS na hora de dar resposta ao aumento de novos casos que é esperado está na prevenção, que deve começar o quanto antes e sobretudo junto das camadas mais jovens e com a mudança de hábitos.

Portugal está acima da média da União Europeia no consumo de álcool, de tabaco e nos níveis de obesidade na população adulta e travar estes três fatores é meio caminho andado para se prevenir o cancro e evitar uma maior pressão dos sistema de saúde. Até porque, garante Júlio Oliveira, “a combinação de dois ou mais fatores aumenta muito o risco de neoplasias e de outras patologias, como as doenças cardiovasculares”.

E prevenir e detetar precocemente são mesmo as prioridades, dizem os entrevistados. Quase metade dos cancros continuam a ser fatais. “Tal como noutros países da UE, a carga de doença causada pelo cancro em Portugal é considerável. Com base nas tendências verificadas nos anos anteriores, previa-se que 30.000 portugueses morressem de cancro em 2020”, diz o relatório Estado da Saúde na UE - Portugal, Perfil de saúde do país 2021, da Comissão Europeia. Segundo a PORDATA, os valores reais não estiveram longe: nesse ano faleceram 28.323 pessoas à boleia de tumores malignos e só em 2019 é que o cancro matou mais, num total de 24.464.

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