A Câmara do Seixal, no distrito de Setúbal, contabilizou estragos na ordem dos oito milhões de euros devido ao mau tempo registado entre 07 e 14 de dezembro, disse esta sexta-feira à Lusa o presidente do município.

De acordo com dados recolhidos em 18 estações meteorológicas, a chuva que caiu em dez horas em dezembro na Área Metropolitana de Lisboa (AML) representou 15% da precipitação total anual de 2022. O concelho do Seixal, no distrito de Setúbal, registou “o maior valor médio acumulado diário, com 109,60 mm, no dia 13 de dezembro, que correspondeu a 15% do total da precipitação do ano de 2022 naquele município”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da autarquia, Paulo Silva, explicou que aquele valor estimado prende-se com estragos registados na zona de Corroios, nomeadamente no pavilhão multiusos da Quinta da Marialva e na rede pública de saneamento.

Mais de três dezenas de desalojados no Seixal

No concelho do Seixal, 34 pessoas ficaram desalojadas na sequência do mau tempo, das quais 17 viviam no Muxito, uma antiga unidade turística que agora funciona como zona residencial, e as restantes no bairro de Santa Marta de Corroios.

Paulo Silva adiantou que existe um problema para resolver em conjunto com a Câmara Municipal de Almada referente a duas valas reais desse concelho que desaguam na freguesia de Corroios, no concelho do Seixal.

“Era necessário, e desde 2009 que está sinalizado, que a Câmara Municipal de Almada fizesse duas bacias de contenção para minorar o volume de água a chegar ao Seixal”, disse.

O autarca adiantou que o assunto foi já apresentado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e à ministra da Coesão Territorial, aguardando agora o município uma reunião para estudo da situação e das obras necessárias a realizar.

O Governo aprovou no dia 12 de janeiro, em Conselho de Ministros, uma resolução que reconhece que as cheias e inundações provocadas pela precipitação intensa e persistente ocorrida em dezembro de 2022 nas regiões Norte, Lisboa, Alentejo e Algarve, bem como em janeiro deste ano no Alto Minho, constituem "situações excecionais".

De acordo com o executivo, o mau tempo causou prejuízos de 293 milhões de euros (ME) e o volume dos apoios a conceder ascende a cerca de 185 ME.

Segundo o Governo, 69 municípios reportaram prejuízos relacionados com o mau tempo em dezembro e outros 10 com a chuva forte que caiu em janeiro, sobretudo no Alto Minho.

Na AML, os municípios que reportaram mais prejuízos foram Lisboa (38 ME), Loures (35 ME), Almada e Oeiras, com 16 ME cada.

/ NM