Sub-21: Chéquia-Portugal, 0-0 (crónica) - TVI

Sub-21: Chéquia-Portugal, 0-0 (crónica)

Chéquia-Portugal (Foto: FPF)

Acabar com o credo na boca depois de tanto desperdício

Relacionados

Portugal ainda estará por perceber como não foi capaz de fazer um golo que fosse na Malsovicka Arena. Só em ocasiões flagrantes, desperdiçou uma mão-cheia delas, com uma bola devolvida pela barra entre elas. Isto perante uma Chéquia que se aguentou à custa do físico e quase ganhou o jogo no último lance. A Seleção nacional voltou a manter a sua baliza a zeros, mas é no zero no seu lado do marcador em que mais estará a pensar por esta altura.

Os minutos iniciais deram uma perceção errada do que viria a ser a primeira parte. Apostada em criar em Portugal uma sensação de desconforto o mais rapidamente possível, a Chéquia arrancou a pressionar bem alto no terreno e, com isso, conseguiu criar um par de situações interessantes, nascidas de erros em saídas de bola da equipa portuguesa desde trás.

O guarda-redes João Carvalho e o central Tiago Gabriel “tremeram” com a bola nos pés, deixaram a Seleção nacional exposta, mas eram notórias as dificuldades dos checos em aproveitar o que iam conseguindo provocar. Não confundir com criar.

RECORDE O FILME DO JOGO

A primeira vaga checa durou um quarto de hora. Seguiu-se o melhor período de Portugal no encontro, durante o qual Chermiti perdeu duas ocasiões soberanas consecutivas, a segunda travada pela barra (22m).

A melhoria lusa deu-se a partir do momento em que a Seleção foi capaz de guardar por mais tempo a bola, e quando a perdia, uma pressão eficaz, e bem coordenada, neutralizava por completo os checos, agora remetidos a tarefas defensivas.

O 4-4-2 português tinha Youssef Chermiti e Rodrigo Mora como homens mais avançados no terreno, mas eram os recuos estratégicos de Mora que deixavam a Chéquia à nora. E foi assim que o camisola 10 serviu Chermiti para mais uma oportunidade flagrante desperdiçada pelo avançado do Rangers, que, em boa posição, rematou ao lado, ao minuto 24.

Porém, aos poucos, a Chéquia foi recuperando algum do ímpeto inicial. Com um jogo mais direto, foi criando algumas dificuldades a Portugal em lances o mais simples, e rápidos, possíveis, os mais perigosos, no entanto, anulados por fora de jogo.

Chermiti, sempre ele, voltou a ficar perto do golo em cima do intervalo, valendo aí os reflexos do guarda-redes checo, Koutny. Um lance que não teve sequência no reatamento do encontro, que voltou a mostrar uma Seleção portuguesa errática no passe e que quase sofreu aos 53 minutos, num lance de insistência em que Masek, solto ao segundo poste, rematou por cima.

Luís Freire não demorou a mexer, reformulando o ataque com as entradas de João Rego e Gustavo Varela, e Portugal voltou a crescer no jogo. Aos 63 minutos, só um corte milagroso de Chytry impediu Roger de desfazer o nulo, numa jogada que contou com o precioso contributo de Tiago Parente.

O efeito viu-se novamente após a segunda leva de alterações, dez minutos depois, quando Afonso Moreira, na primeira vez que tocou na bola, desperdiçou de forma incrível na cara de Koutny, após um excelente cruzamento de Roger.

O avançado do Lyon voltou a assustar aos 83 minutos, mas esta não era defintivamente uma tarde para Portugal marcar. E por muito pouco não foi de desalento total, pois a Chéquia, em contra-ataque, quase marcou por Pech ao minuto 90+4, valendo à Seleção nacional os reflexos de João Carvalho.

Assim, Portugal fica com a consolação de ter permitido pouco a um adversário intenso, que, tal como Luís Freire avisara na véspera, foi mesmo o rival mais complicado que encontrou até aqui na caminhada para o Europeu. Ainda assim, bem longe do nível português.

Figura: Tiago Parente (Portugal)

Belo jogo do lateral-esquerdo do Estoril, sobretudo no capítulo ofensivo. Sempre que lhe foi possível deu largura ao ataque português, mas também surpreendeu num par de situações em que surgiu em zonas interiores. Só não somou assistências na Chéquia porque Chermiti, Roger e Martim Fernandes desperdiçaram ocasiões flagrantes.

Momento: Corte milagroso nega o golo a Roger (63m)

Sendo certo que Portugal chegou a acertar na barra, por Chermiti (22m), não é menos verdade que a perdida de Roger, a meio da segunda parte, já com o guarda-redes batido, teve um efeito visual mais impactante. O golo parecia inevitável, mas Chytry, caído no relvado, conseguiu o desvio milagroso que fez a bola sobrevoar a sua baliza. Parecia impossível…

Positivo: Mathias de Amorim (Portugal)

Exibição muito completa do médio do Famalicão. Esteve em todo lado, quando dele necessitavam. Fosse na primeira fase de construção, no momento da organização do ataque ou na pressão ao adversário, Mathias de Amorim foi de uma precisão e utilidade impressionantes.

Continue a ler esta notícia

Relacionados