Portugal-Nigéria, 2-1 (crónica) - TVI

Portugal-Nigéria, 2-1 (crónica)

  • Samuel Santos
  • Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, Leiria
  • 10 jun, 22:51

Poema de Leiria provoca sentimentos díspares

No Dia de Camões, Portugal e das Comunidades Portuguesas, a Seleção venceu sem convencer, com chama intermitente e bússola a afinar. Em Leiria, Portugal não precisou de subir ao castelo para triunfar, mas a exibição não permite tirar os pés da Terra.

Na tarde desta quarta-feira, Roberto Martínez operou sete alterações no “onze”, promovendo a titularidade de Diogo Costa, Gonçalo Inácio, Diogo Dalot, Vitinha, João Neves, Francisco Trincão e de Pedro Neto. Uma vez expulso contra o Chile, no Jamor, o aniversariante Rafael Leão cumpriu castigo.

Na Nigéria, Zaidu e Moffi – dupla que representou o FC Porto em 2025/26 – foram a jogo aos 60 minutos.

Os 21 mil bilhetes vendidos vão reverter para a recuperação de infraestruturas na região de Leiria, no princípio de 2026 gravemente afetada pelo "comboio" de tempestades. Aliás, os danos continuam visíveis na casa da União de Leiria.

Recorde a história deste duelo.

Num arranque de sentido único, a primeira oportunidade surgiu ao nono minuto. Pela direita, Francisco Trincão estendeu para Nélson Semedo, que desferiu um arco notável, visando o coração da área. Todavia, Cristiano Ronaldo – solto e perante o guardião Okoye – atirou ligeiramente ao lado. Sinais dos tempos.

De ensaio em ensaio, e aproveitando a fragilidade nigeriana, a multidão celebrou em cima do minuto 24, graças ao golo de Pedro Neto. A jogada começou com uma ação fantástica de Francisco Trincão, que serpenteou do corredor direito para o meio-campo, combinando com Cristiano Ronaldo e apontando à esquerda, onde Diogo Dalot rasgou a defesa e encontrou Pedro Neto. Ora, o extremo do Chelsea rematou cruzado e inaugurou o marcador.

Na segunda oportunidade de golo – e na primeira boa ação de Neto – a Seleção agarrou a vantagem.

 

Na mó de cima, os pupilos de Roberto Martínez ameaçaram algo mais por Bruno Fernandes, Trincão e Cristiano Ronaldo, mas expondo-se a velozes contra-ataques. Curiosamente, o empate surgiu na sequência de um pontapé de baliza, pelo corredor central. Se Gonçalo Inácio caiu, Diogo Dalot errou o corte e Rúben Dias surgiu atrasado, viabilizando a corrida e remate certeiro de Akor Adams.

 

No balanço da primeira parte, Gonçalo Inácio surgiu como o titular menos feliz, acumulando erros sob pressão. E, apesar da assistência para o 1-0, Diogo Dalot comprometeu na transição defensiva. Em contraponto, Nélson Semedo e Francisco Trincão capitalizaram a oportunidade.

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.» – Luís Vaz de Camões, “Sonetos”

Para a etapa complementar, Roberto Martínez apenas manteve Diogo Costa e Cristiano Ronaldo, apostando em João Cancelo, Tomás Araújo, Renato Veiga, Nuno Mendes, Samú Costa, Rúben Neves, Francisco Conceição, Bernardo Silva e João Félix.

Ora, o avançado do Al Nassr colocou a Nigéria em sentido, obrigando Okoye a defesa apertada e, segundos depois, atirando à barra.

Entre trocas, Cristiano Ronaldo saiu de cena muito aplaudido – apesar da noite cinzenta – e Francisco Conceição animou as hostes lusas. Sinais dos tempos.

«Em Amor não há senão enganos,
Em Fortuna tudo são mudanças.» – Luís Vaz de Camões, “Sonetos”

O relógio decalcava o minuto 75 e o “baixinho” aventurou-se a solo, tricotando pelo corredor direito e desferindo um arco rasteiro indefensável.

 

Até final, Portugal voltou a ameaçar na área nigeriana, mas Samú Costa foi incapaz de sentenciar o encontro.

Ora, venha daí a aventura pelas Américas, no Mundial 2026.

«Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.» – Luís Vaz de Camões, “Sonetos”

O Mundial 2026 arranca nesta quinta-feira, mas Portugal só entra em cena na tarde de quarta-feira (18h), frente à República Democrática do Congo. Seguem-se os duelos com Uzbequistão (23 de junho, 18h) e Colômbia (28 de junho, 00h30).

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