Tendas gigantes e o mínimo indispensável: viagem ao centro de treinos da Seleção - TVI

Tendas gigantes e o mínimo indispensável: viagem ao centro de treinos da Seleção

Portugal seguiu os exemplos do Real Madrid e da Inglaterra e trocou os tradicionais centros de estágio por um parque em Palm Beach Gardens. O balneário é improvisado, os banhos tomam-se no hotel, mas o relvado até apetece fotografar...

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Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O primeiro slogan da história da publicidade em Portugal, escrito por Fernando Pessoa, assenta bem numa descrição em poucas palavras do centro de treinos da Seleção Nacional nos Estados Unidos.

Por isso esqueça os complexos desportivos ultra-modernos, os estádios fechados ou as academias de clubes de topo. Para este Mundial, a Federação Portuguesa de Futebol escolheu um caminho diferente.

O centro de treinos da Seleção fica no Palm Beach Gardens, um parque como o próprio nome indica em Palm Beach, a cerca de meia hora do hotel, e que tem a particularidade de estar aberto à comunidade: os cidadãos podem jogar ténis, praticar atletismo, treinar basquetebol ou fazer outro desporto qualquer.

Se tiverem sorte, até o podem fazer a poucos metros de Cristiano Ronaldo.

O complexo tem vários campos de futebol, mas Portugal ficou com o último de todos. É o mais recatado, o mais bem preparado e conta até com uma pequena bancada de apoio.

O relvado é, de resto, a grande jóia da coroa deste espaço: um tapete verde perfeito, que apetece fotografar para fazer um daqueles quadros artísticos que ficam bem numa parede.

E se a escolha do local pode parecer insólita à primeira vista, a qualidade da relva explica tudo: foi exatamente aqui que a seleção de Inglaterra montou o seu primeiro estágio de preparação para este Mundial, e foi também este o relvado escolhido pelo Real Madrid para estabelecer o seu quartel-general durante o Mundial de Clubes do ano passado.

Por alguma razão será, não concordam?

Mas se o tapete verde é de elite, tudo o que o rodeia é um exercício de engenho e improvisação. Como o parque não tem infraestruturas de apoio para uma operação desta dimensão, a solução passou por erguer tendas gigantes. É debaixo de lonas, felizmente bem climatizadas, que funcionam o centro de imprensa e até o balneário dos jogadores.

Quer dizer, na verdade chamar-lhe balneário é um exagero técnico: é um espaço improvisado com o mínimo indispensável. Os jogadores já vêm equipados do hotel e, no final da sessão, tomam banho novamente no luxuoso Four Season.

Por isso aquela tenda serve apenas como ponto de apoio: tem cadeiras, cacifos para os atletas guardarem os pertences e um pequeno espaço equipado com um sofá e uma televisão. Ao lado montou-se um ginásio com bicicletas estáticas e máquinas de força, além de uma espécie de posto médico e zona de recuperação.

O cenário inclui uma pequena sauna amovível, dois insufláveis de hidromassagem e sete marquesas para os fisioterapeutas tratarem dos músculos dos craques.

E é precisamente no número de marquesas que surge um dos detalhes mais deliciosos deste centro de treinos. Como há 26 jogadores no plantel e apenas sete camas de massagem, pode sempre gerar-se uma fila de espera.

Para evitar o tédio, a organização recorreu a uma solução bem ao estilo norte-americano: montou um jogo de cornhole - aquele típico passatempo de jardim dos Estados Unidos, que consiste em lançar pequenos sacos de milho (também pode ser resina) para acertar num buraco colocado numa prancha de madeira inclinada.

É assim, entre lançamentos de sacos de milho, banheiras insufláveis e um relvado imaculado, que Portugal prepara o assalto ao Mundial: neste parque onde a elite do futebol se tem cruzado com o desporto de lazer, a Seleção encontrou o seu refúgio.

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