O líder separatista sérvio-bósnio atribuiu este domingo ao presidente russo, Vladimir Putin, a mais alta condecoração da organização, a medalha de honra, pela “preocupação e amor patriótico” à metade da Bósnia controlada pelos sérvios, a Republika Srpska.

“Putin é responsável pelo desenvolvimento e fortalecimento da cooperação e das relações políticas e de amizade entre a Republika Srpska e a Rússia”, disse o presidente sérvio-bósnio, Milorad Dodik, na cerimónia de atribuição do prémio realizada no reduto sérvio-bósnio de Banja Luka.

Dodik, que em setembro de 2022 visitou Putin em Moscovo, mantém relações próximas com o presidente russo, apesar da guerra da Rússia na Ucrânia.

A medalha será entregue a Putin no próximo encontro entre os dois, disse o embaixador russo na região, Igor Kalbukhov, sem adiantar uma possível data.

“Acreditamos que este prémio é uma afirmação da determinação estratégica das nossas relações no sentido de fortalecer a amizade do nosso povo irmão”, afirmou Kalbukhov na cerimónia.

Moscovo tem sido frequentemente acusada pelo Ocidente de tentar desestabilizar a Bósnia e o restante dos Balcãs através dos representantes na Sérvia e em território bósnio.

Dodik defendeu abertamente a separação da metade da Bósnia controlada pelos sérvios de uma federação bósnio-croata para uni-la à vizinha Sérvia.

Em 1995, um acordo de paz negociado pelos Estados Unidos encerrou uma guerra na Bósnia que deixou pelo menos 100.000 mortos e milhões de desalojados e deslocados, tendo deixado o país profundamente dividido entre os seus três principais grupos étnicos.

Moscovo tem explorado as divisões ao apoiar tacitamente as políticas separatistas de Dodik.

Dodik premiou Putin por ocasião do “Dia da Republika Srpska”, que foi considerada ilegal pelo tribunal constitucional da Bósnia.

A efeméride marca o dia em que, em 1992, os sérvios bósnios anunciaram que estavam a separar-se da Bósnia com o objetivo de dividir as regiões povoadas por sérvios do estado dos Balcãs e uni-las à Sérvia.

A tensão está hoje elevada na Bósnia, já que os sérvios planeavam realizar segunda-feira as principais celebrações nos arredores de Sarajevo, cidade que mantiveram sob cerco ao longo de três anos de guerra.

/ RL