A penúltima tracking poll antes das eleições presidenciais de domingo indica que o top 3 de candidatos em empate técnico para a liderança continua a destacar-se face aos restantes adversários. António José Seguro é o que mais cresce, fixando-se agora nos 24,2% de intenções de voto (mais 1,6 pp), André Ventura reforça o segundo lugar com uma subida para os 22,9% (mais 0,9 pp) e João Cotrim de Figueiredo mantém a terceira posição, com 21,1%, mais 0,8 pp do que na última medição.
A sondagem diária da Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF traz, no entanto, más notícias para as candidaturas de Luís Marques Mendes e de Henrique Gouveia e Melo, que continuam fora do acesso a uma segunda volta. As duas afundam-se nas intenções de voto, com o antigo coordenador da task-force de vacinação contra a covid-19 a cair 2 pp, para os 13,4%, e o antigo líder social-democrata a recuar para os 12,6% - menos 0,8 pp do que na quarta-feira.
Desde o início da sondagem diária, é o almirante Gouveia e Melo quem regista o declínio mais expressivo nas indicações de voto. Começou com 19,2% em situação de empate técnico e, desde o dia 5 de janeiro, já caiu 5,8 pp. Também a candidatura de Luís Marques Mendes está entre as que foram progressivamente obtendo piores resultados. No início da tracking poll fixava-se nos 15,4%, tendo recuado 2,8 pp até ao momento.
Por outro lado, é Seguro quem mais tem subido nas intenções de voto até ao momento. O candidato apoiado pelo PS já cresceu 4,9 pp desde o início da tracking poll, que começou por lhe dar 19,3%. Ventura também segue uma trajetória ascendente, embora menos acentuada, tendo aumentado 4 pp desde o ponto de partida (18,9%). Quanto a Cotrim de Figueiredo, completa o trio que mais cresce, com um ganho acumulado de 3,1 pp.
Fora das cinco maiores candidaturas, a luta pelo sexto lugar ficou mais renhida. Catarina Martins cai 0,6 pp e fixa-se nos 1,8%, perdendo terreno para António Filipe, que cresce para os 1,6%. Jorge Pinto e Manuel João Vieira não ganham nem perdem apoios, mantendo-se com 1,3% e 1%, respetivamente.
O número de indecisos desce para um mínimo de 10%.
Norte com Ventura, Centro com Seguro, Lisboa com Cotrim
Na análise desta quinta-feira, Ventura ganha força entre o eleitorado masculino e é já o mais votado neste segmento, com 23,0% das intenções de voto, ultrapassando António José Seguro, que recolhe 22,1%, numa inversão face aos dias anteriores.
Apesar disso, Seguro mantém a liderança noutros segmentos-chave, nomeadamente entre as mulheres, onde regista 21%, e entre os eleitores com 55 ou mais anos, grupo em que se destaca dos adversários, registando 28,3%. Já João Cotrim de Figueiredo continua a dominar entre os mais jovens (18–34 anos), com uma vantagem larga ao somar 31,3%.
Por regiões, Seguro lidera no Centro, com 23,6%, e também fora dos grandes centros urbanos, onde soma 23,7%. No Norte, porém, a liderança pertence a André Ventura, que atinge 23,3%, superando Seguro (21,9%) e Cotrim (19%). Já na Grande Lisboa, o cenário é distinto: João Cotrim de Figueiredo é o candidato mais votado, com 29,7%, destacando-se face a Ventura (18,2%) e a Seguro (16,1%).
Há também a registar uma alteração na dinâmica de vitória, o indicador que mede a opinião dos inquiridos sobre qual candidato vê como mais provável a vencer a eleição. Depois de estarem empatados e de esta quarta-feira Ventura surgir como o nome favorito, é agora Seguro quem lidera nesta métrica.
Na quarta-feira, Ventura era apontado como favorito por 26% dos inquiridos, contra 24% que identificavam Seguro como o candidato mais provável a vencer. Já esta quinta-feira, o cenário inverte-se: Seguro sobe para 26% (mais 2 pp), enquanto Ventura recua para 24% (menos 2 pp).
Marques Mendes e Gouveia e Melo, por outro lado, continuam a perder terreno na dinâmica de vitória: o ex-líder do PSD desce para 13%, enquanto o almirante se fixa nos 11%, exatamente o mesmo valor de João Cotrim de Figueiredo, que regista uma subida de 1 pp.
Seguro e Cotrim empatados numa segunda volta
Nos cenários de segunda volta, há uma diferença assinalável face à sondagem diária de quarta-feira. Numa disputa entre Cotrim de Figueiredo e António José Seguro, os dois candidatos surgem empatados com 46% cada um. De resto, Seguro vence a Ventura (67% vs. 26%), a Gouveia e Melo (55% vs. 34%) e a Marques Mendes (56% vs. 33%).
À semelhança de ontem, Ventura perde em todos os cenários à segunda volta, nomeadamente contra Cotrim de Figueiredo (21% vs. 67%). Já numa eventual disputa entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, seria o almirante quem sairia vitorioso, mas por uma margem muito curta: 45% vs. 42%.
Comparativamente com o voto nas legislativas, António José Seguro apresenta-se como a principal opção junto do eleitorado socialista, recolhendo 57,1% das intenções de voto. O socialista consegue também captar 14,4% entre antigos eleitores da AD.
Já André Ventura reforça-se como o principal polo de agregação do seu partido, concentrando 80,9% das intenções de voto dos eleitores do Chega nas legislativas. Fora dele, o seu desempenho é bastante mais limitado: apenas 3,7% entre ex-eleitores do PS e 3,8% entre antigos votantes da AD.
Já João Cotrim de Figueiredo volta a destacar-se entre os antigos eleitores da AD, atingindo os 24,9%, mais do que Seguro (14,4%) e Ventura (3,8%).
Henrique Gouveia e Melo recolhe apoios transversais: 18,3% entre ex-eleitores do PS, 11,7% da AD e 7,2% do Chega. Já Luís Marques Mendes vê o seu apoio concentrar-se quase exclusivamente no eleitorado da AD, onde recolhe 28,4%, o valor mais elevado nesse segmento. Fora desse espaço, a sua expressão é bastante menor, com apenas 2,7% entre ex-eleitores do PS.
Ficha técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidido um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 903 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções :
• 12 de janeiro: 203 entrevistas;
• 13 de janeiro: 350 entrevistas.
• 14 de janeiro: 350 entrevistas.
Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 903 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,3%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis.
Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos.
Foram realizadas 1848 tentativas de contacto, para alcançarmos 903 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,86%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.