Betis-Sp. Braga, 2-4 (crónica) - TVI

Betis-Sp. Braga, 2-4 (crónica)

  • Pedro Lemos
  • Estádio La Cartuja, Sevilha
  • 16 abr, 21:59
Betis-Sp. Braga (EPA/RAUL CARO)

Mal sabíamos nós

Quando a tarde ainda era uma criança e o relógio anunciava que a hora de início do grande espetáculo era uma miragem, cruzámo-nos com tantos em Sevilha. Em cada esquina, um bracarense, em cada rosto, muita esperança. Mal sabiam eles.

E depois acontecia aquilo que sempre se passa quando, no estrangeiro, há portugueses a cruzarem-se nas ruas. Troca-se um sorriso, fica-se de ouvido aberto à escuta de confirmar que, sim, aqueles são «dos nossos», vêm de onde nós também vimos, porventura até estão ali pela mesma razão que nos move.

No caso, era mesmo.

Milhares de adeptos do Braga, mais de 2000, rumaram à capital da Andaluzia para ver a sua equipa tentar ser feliz onde até já o foi. E este jornalista também foi à caça - e uma secreta esperança - de ver história a acontecer. Mal sabia ele.

As horas foram passando, o calor não deu tréguas, e seria com esses mesmos – os «dos nossos», perdoe-lhe que hoje os chame assim – que partilharíamos os primeiros momentos na imensidão do La Cartuja.

Sim, o Benito Villamarin – que está em obras - é imponente, mas os mais de 60 mil adeptos do Betis que, amiúde, foram entrando no Estádio Olímpico fizeram os do Braga perder-se na multidão.

Vendo bem, foi uma metáfora poética para o que o jogo mostrou logo desde muito cedo.

A equipa espanhola entrou de forma avassaladora, fruto tanto de uma pressão alta, como de alguma desatenção do Braga.

Ez Adbe, Antony e Fornals eram diabos à solta no ataque do Betis: o primeiro golo, apesar de logo ao minuto 10, surgiu com naturalidade. O extremo brasileiro cabeceou, a bola ainda tocou no poste, mas entrou.

O domínio manteve-se e o segundo também não tardou: agora por intermédio de Ez Adbe, numa desatenção da defesa do Braga.

Nem o mais crente acreditaria, por esta altura, no que dizia aquela faixa que se erguia no lado dos adeptos portugueses. «Voltamos a Sevilha. Voltaremos a fazer história». Mal sabiam eles.

O futebol tem mesmo destas coisas – e a «frase batida» aqui aplica-se na sua totalidade. O Braga, que ainda viu o 3-0 ser anulado ao Betis, aproveitou a única ida à baliza adversária para marcar. Pau Victor foi o autor da esperança arsenalista.

Quando, ao intervalo, se começava a perspetivar o que seria a segunda parte e esta crónica começava a ganhar forma, poucos adivinhariam os cinco minutos iniciais da etapa complementar. Nem os mais esperançosos.

De uma assentada, sem dar tempo ao Betis para respirar sequer, o Braga ficou mais perto de cumprir o que a faixa dos seus adeptos pedia.

Na cabeça de Vitor Carvalho, veio o empate; na bota de Ricardo Horta, de penálti, a remontada (que bem cai aqui a palavra).

Viu-se o que ainda não se tinha visto: adeptos do Betis a roer as unhas, um Olímpico ansioso, a pensar que a eliminatória esteve na mão, mas fugiu.

Fugiu mesmo: ao minuto 74, Gorby rematou de primeira, à entrada da área, a bola ainda desviou em Bartra (o que interessa isso?) antes de entrar na baliza de Pau Lopez. O Braga está nas meias-finais da Liga Europa: que bonito é escrever isto.

E agora porque há calles a percorrer e a noite ainda é uma criança, será com os «nossos» do início desta história que, porventura, nos voltaremos a (re)encontrar,

Talvez até bebamos uma caña, se a ocasião a isso o proporcionar, e lhes diga que esta noite nunca me sairá da memória. Muito menos a eles.

Mal sabíamos nós.

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