O Benfica garantiu este domingo a segunda «dobradinha» da sua história no futebol feminino, ao vencer a Taça de Portugal, no Estádio Nacional, no Jamor, com uma vitória inequívoca diante do estreante FC Porto. Uma espécie de David contra Golias, com as hexacampeãs nacionais a imporem-se diante do esforçado estreante com dois golos de Caroline Moller.
Um desfecho que não era difícil de antecipar, face à maior experiência das encarnadas nestes palcos, diante de um FC Porto que, apesar da extraordinária ascensão em apenas dois anos, só na próxima temporada vai ter a oportunidade de jogar no primeiro escalão. As jogadoras do Benfica pareciam sempre mais altas, mas rápidas, mais tudo, mas o FC Porto, certamente motivado por jogar esta final, nada ficou a dever em esforço e abnegação, deixando claro que o futebol feminino vai mudar a curto prazo.
A verdade é que o Benfica entrou com tudo no jogo, colocando o rival em sentido, com um bloco subido, atacando de imediato a profundidade com Catarina Amado, Caroline Moller, Diana Gomes e, sobretudo, Nycole Raysla, a provocarem estragos na área portista.
Se ainda havia dúvidas quanto à diferença de potencial entre as duas equipas, estas desvaneceram-se num abrir e fechar de olhos e, aos 4 minutos, o Benfica já estava na frente do marcador, num lance que começou por ser invalidado, por alegado fora de jogo de Pauleta, mas que acabou por ser confirmado depois de revisão do VAR. Uma jogada que nasce num livre marcado por Marit Lund, sobre a direita, a bola fica a saltitar na área, mas Pauleta, com um toque subtil, permite a Caroline Moller fuzilar a baliza de Cora Brendle.
⚽️🦅Caroline Møller fez o primeiro golo em clássicos!!pic.twitter.com/6jacisnWWn
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O FC Porto procurou reagir rápido, mas sempre que subia no terreno, expunha-se às transições rápidas do Benfica que, nos minutos seguintes esteve muito perto de marcar um segundo golo. As encarnadas, moralizadas com uma sequência de seis vitórias consecutivas e a conquista do «hexa», pressionavam alto e obrigavam as jogadoras do FC Porto a cometer erros atrás de erros. Maria Ferreira e Lily Bryant bem tentavam levar a equipa para a frente, mas raramente conseguiam passar a linha do meio-campo.
Era o Benfica que impunha o ritmo de jogo e, com uma elevada posse de bola, desgastava as esforçadas adversárias. O FC Porto só conseguiu respirar quando o Benfica levantou o pé. Num pontapé longo, Lily Bryant ainda ameaçou o empate, mas Lena Pauels antecipou-se à norte-americana e anulou o lance de maior perigo das portistas na primeira parte.
O Benfica voltou a carregar no acelerador na ponta final, mas o segundo golo voltou a surgir num lance de bola parada, novamente com a assinatura de Carolie Moller. Canto de Gasper sobre a direita, Diana Silva desvia de cabeça e a dinamarquesa bisou no jogo com classe.
⚽️ ELA! OUTRA VEZ!! MØLLER!!!pic.twitter.com/o8hTwzI3BE
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Uma vantagem natural das campeãs nacionais que estiveram quase sempre por cima do jogo ao longo dos primeiros 45 minutos e até podiam ter marcado mais golos.
A segunda parte começou novamente com o Benfica por cima do jogo, encostando as rivais junto à sua área com a conquista de três cantos consecutivos e uma pressão asfixiante, mas o FC Porto ainda conseguiu empolgar os adeptos visitantes com uma transição rápida que culminou com um remate de Elisa Turner que obrigou Pauels a defender para canto.
Daniel Chaves ainda arriscou com as primeiras substituições, mas o Benfica nunca abdicou do controlo quase absoluto do jogo e esteve sempre mais perto do terceiro golo do que o adversário reduzir a diferença. O FC Porto continuou a fugir, a espaços, mas quase sempre em iniciativas individuais, praticamente sem apoio, enquanto o Benfica continuou a mandar no jogo com um bloco coeso, aproveitando o desgaste das adversárias para se aproximar da baliza de Brendle.
O jogo acabou mesmo com uma sessão de tiro ao boneco na área do FC Porto, mas não houve mais golos.
O Benfica conquista, assim, o seu terceiro troféu, o segundo em formato de «dobradinha», alcançando o Sporting que tem o mesmo número de troféus, mas ainda atrás do 1.º de Dezembro que, na fase inicial desta competição, conquistou sete títulos.
Momento do jogo: Caroline Moller abre o marcador logo aos 4 minutos
Benfica adiantou-se cedo no marcador, num lance que terminou com a bandeirola levantada e teve de esperar pela revisão do árbitro para festejar o primeiro golo. Um golo que nasce num livre de Marit Lund, o FC Porto não conseguiu afastar uma bola saltitona e Pauleta acabou por assistir Caroline Moller que atirou a contar Estava aberto o caminho para a «dobradinha».
Figura do jogo: Nycole Raysla, a grande artista
Eleger Caroline Moller, autora dos dois golos que ditaram o resultado, era o mais óbvio, mas foi Nycole Raysla que desenhou os melhores lances do Benfica ao longo do jogo. A brasileira, com boa técnica, ocupou várias posições em campo e conseguiu explorar as evidentes debilidades defensivas do FC Porto.
Positivo: grande ambiente no Jamor
o futebol feminino tem vindo a crescer a olhos vistos nos últimos anos, mas esta inédita final da Taça de Portugal deixou claro que ainda há mais espaço para crescer, com subida do FC Porto ao primeiro escalão a prometer uma maior competitividade nas competições nacionais e, sobretudo, vai trazer mais adeptos aos estádios, como se viu neste final de tarde no Jamor, com mais de 22 mil adeptos dos dois emblemas nas bancadas. Um espetáculo à parte, mas digno de registo.
Ficha do jogo
Estádio Nacional, em Lisboa
Árbitro: Teresa Oliveira
Assistentes: Raquel Pinho e Catarina Mendes
4.º árbitro: Filipa Cunha
VAR: Paulo Barradas e Rui Soares
BENFICA: Lena Pauels; Catarina Amado, Carole Costa (Christy Uchebie, , Diana Gomes, Marit Lund; Anna Gasper, Lúcia Alves, Pauleta; Caroline Moller (Carolina Tristão, 77m) , Nicole Raysla e Diana Silva (Chandra Davidson, 61m)
Suplentes: Thaís Lima, Beatriz Cameirão, Letícia Almeida, Clarinha, Neide Guedes e Cristina Martín-Prieto
FC PORTO: Cora Brendle; Mariana Azevedo, Karoline Lima (Cristina Ferreira, 60m), Mariana Queirós, Eliza Turner; Angeline da Costa, Maria Negrão, Maria Ferreira; Lily Bryant, Alice Reto e Lara Perruca (Lenka Mazúchova, 78m).
Suplentes: Bárbara Marques, Lara Filipe, Laerke Tingleff, Inês Oliveira, Sofia Silva, Joana Ferreira e Mady Soumaré
Ao intervalo: 2-0
Marcadoras: Caroline Moller (4 e 40m)
Disciplina: nada a assinalar
Resultado final: 2-0