A administração executiva da TAP recebeu praticamente 1,5 milhões de euros em salários no ano de 2021. Nesta lista, inclui-se Alexandra Reis, a agora secretária de Estado do Tesouro envolta em polémica, por ter recebido uma indemnização de meio milhão de euros para sair da companhia aérea. Enquanto administradora, ganhou 245 mil euros em 2021, mostra o Relatório de Governo Societário desse ano.

A presidente executiva Christine Ourmières-Widener leva o maior valor, cerca de um terço do total: 504 mil euros anuais. Os outros quatro administradores executivos – Gonçalo Pires, Alexandra Reis, Silvia Gonzalez e Ramiro Sequeira – levaram, cada um, 245 mil euros. Nesse ano, segundo o documento, devido à difícil situação financeira da empresa, nenhum recebeu componentes variáveis ou prémios.

Mas, além do salário, a liderança da TAP teve direito a outros benefícios. Todos têm direito a seguro de saúde e a telemóvel de serviço. A presidente, nascida em França, pode receber até 30 mil euros para subsídio de residência. Já Silvia Gonzalez tem direito a igual valor, a que acresce um “subsídio anual de frequência escolar” até 15 mil euros. Ou seja, pelo menos, mais 75 mil euros em subsídios.

O valor recebido pelos administradores executivos é o que mais pesa no total de remunerações, refletindo um corte de 30% devido à situação da empresa. Mas, entre os administradores executivos e não executivos, o Conselho Fiscal e a Assembleia Geral, a TAP pagou em 2021 quase dois milhões em remunerações. São 1,8 milhões.

Praticamente 353 mil euros foram pagos aos cinco administradores não executivos. Miguel Beja, o presidente da TAP, recebeu 117.600 euros – a que se junta um seguro de saúde e telemóvel da empresa. Os restantes não executivos tiveram direito a 58.800 euros.

A estas contas há que juntar os 73.500 euros destinados ao Conselho Fiscal.

Menos dispendiosa é a Mesa da Assembleia Geral. O presidente deste órgão, o antigo ministro socialista António Vitorino, recebeu 1.050 euros. Os outros dois membros tiveram direito a 630 e 480 euros.

“A remuneração dos membros da Mesa da Assembleia Geral foi atribuída através de senhas de presença que refletem de igual modo uma redução de 30%, atendendo à situação económica da Sociedade”, explica a TAP no documento.

Polémica de 500 mil euros

Alexandra Reis ingressou na TAP em setembro de 2017 e três anos depois foi nomeada administradora da companhia aérea. A agora secretária de Estado renunciou ao cargo em fevereiro deste ano. Em junho, foi nomeada pelo Governo para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV).

Numa declaração escrita, enviada à Lusa esta segunda-feira, Alexandra Reis disse que o acordo de cessação de funções “como administradora das empresas do universo TAP” e a revogação do seu “contrato de trabalho com a TAP S.A., ambas solicitadas pela TAP, bem como a sua comunicação pública, foi acordado entre as equipas jurídicas de ambas as partes, mandatadas para garantirem a adoção das melhores práticas e o estrito cumprimento de todos os preceitos legais”.

A governante garantiu ainda que devolveria “de imediato”, caso lhe tivesse sido paga, qualquer quantia que acreditasse não estar no “estrito cumprimento da lei” na saída da TAP.

Em causa está uma indemnização de 500 mil euros por sair antecipadamente da companhia área, quando tinha de cumprir funções durante dois anos.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, e o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, emitiram um despacho onde pedem à administração da TAP “informações sobre o enquadramento jurídico do acordo”.

Wilson Ledo