Entre 1 janeiro e 27 de dezembro de 2022, a Deco Proteste registou mais de 280 mil contactos motivados por queixas e descontentamentos. O número traduz uma média de 776 reclamações diárias, sendo que o setor que gerou maior descontentamento foi o das telecomunicações, à semelhança do ano passado.

Ao todo, as telecom foram alvo de 37.885 queixas junto da associação de defesa do consumidor, sendo a Meo e a Nos as operadoras com mais referências negativas. De acordo com o comunicado enviado pela organização de defesa do consumidor, as reclamações mais frequentes foram: falhas na cobertura, velocidade da internet e penalizações por mudança de fornecedor.

Os bens de consumo ocupam o segundo lugar do ranking dos setores com mais queixas, com a Deco a registar 36.971 contactos ao longo do último ano. O principal motivo de reclamação prende-se com a obtenção de bens com defeito e problemas com garantias e também divergências entre o que é anunciado e a realidade.

No que toca aos serviços financeiros, os portugueses fizeram 31.985 queixas, sendo o principal alvo a Caixa Geral de Depósitos (CGD), seguido pelo Santander e Novobanco. A motivação esteve nos aumentos sucessivos das comissões bancárias e na dificuldade de interpretar cláusulas dos contratos.

O setor que arrecadou menos queixas foi o do turismo e lazer, mais concretamente 20.773. A TAP foi, uma vez mais, a empresa mais vezes referida, principalmente nos meses de verão, devido ao elevado número de viagens por motivos de recreação.

Além da TAP, os CTT destacam-se como a segunda empresa mais referida pelos portugueses em termos de reclamações. As queixas focam-se, principalmente, em problemas relacionados com entregas de correspondência e com encomendas que não chegaram ao destino.

A Deco, que adianta que 91% dos seus contactos são feitos via telefone, sublinha que os portugueses devem continuar a reclamar e a fazer valer os seus direitos. “É fundamental e cada vez mais relevante o trabalho com as entidades reclamadas, para acelerar e garantir que os consumidores veem a sua questão resolvida. A devolução ou substituição do artigo, o reembolso ou indemnização é um direito de todos os consumidores”, diz Rita Rodrigues, diretora de Comunicação e Relações Institucionais da organização.

ECO - Parceiro CNN Portugal / Mariana Tiago