"Zero vítimas, zero desalojados" em Lisboa. Mais de 2.200 ocorrências no país. Pico da tempestade já passou - TVI

"Zero vítimas, zero desalojados" em Lisboa. Mais de 2.200 ocorrências no país. Pico da tempestade já passou

  • Agência Lusa
  • MJC - notícia atualizada às 18:15
  • 19 out 2023, 17:32

Carlos Moedas faz um balanço positivo da passagem da tempestade Aline por Lisboa: "Houve um serviço de preparação muito bem feito pelos serviços da câmara, desde o início”, disse o autarca. Em todo o país foram registadas mais de 2.200 ocorrências, segundo a Proteção Civil

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A Proteção Civil registou, entre as 00:00 e as 17:00 de hoje, 2.203 ocorrências relacionadas com o mau tempo em Portugal continental, com um abrandamento da intensidade nas últimas horas na região de Lisboa, sem registo de vítimas.

O comandante Elísio Pereira, oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse à Lusa que desde o início do dia até às 17:00 registaram-se 2.203 ocorrências, das quais 1.022 na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais afetada pela passagem da depressão Aline.

No mesmo período, foram registadas 380 ocorrências na região Centro e 318 na região Norte, com “tendência para abrandar”, pois “verifica-se uma diminuição do número de ocorrências”, relacionadas principalmente com “inundações, limpeza de vias e quedas de árvores”, explicou.

“Não temos informação de qualquer registo vítimas", afirmou Elísio Pereira.

“Das 12:00 às 13:30 houve um avolumar de ocorrências, depois elas têm aumentado, mas já com uma percentagem menor do que foi sentido à hora do almoço, que foi quando caiu a maior precipitação”, acrescentou. Nesse período da hora do almoço, "a área mais afetada foi efetivamente Lisboa, sendo que a Grande Lisboa contabilizou 155 ocorrências, seguida do distrito de Setúbal com 67 ocorrências”, disse Elísio Pereira.

Estas ocorrências são essencialmente inundações, seja de vias, de entradas para garagens, caves ou lojas, limpezas de via para repor a normalidade, quedas de estruturas e também quedas de árvores com um número expressivo, sem causar vítimas.

"Zero vítimas, zero desalojados" em Lisboa

A Câmara de Lisboa registou 210 ocorrências esta quinta-feira, principalmente de inundações e quedas de árvores, mas sem vítimas ou desalojados, informou o presidente da autarquia, admitindo que os efeitos da depressão Aline não tiveram comparação com o ano passado.

Segundo Carlos Moedas, num balanço no Centro de Coordenação Operacional Municipal, no Monsanto, foram registadas 210 ocorrências devido ao mau tempo, das quais “só já estão 70 ativas”.

“Houve zero vítimas, zero desalojados e, portanto, houve um serviço de preparação muito bem feito pelos serviços da câmara, desde o início”, acrescentou o autarca, apontando como exemplos “a limpeza das sarjetas” e “dos sumidouros”. O presidente da autarquia explicou que ocorreram inundações e quedas de árvores, mas a situação “não teve comparação com o evento do ano passado”.

“O pico daquilo que era a chuva, daquilo que era o vento já foi ultrapassado para hoje”, acrescentou Moedas, referindo que as indicações disponíveis apontavam para que “o pico” das condições atmosféricas extremas ocorresse “entre as 12:30 e as 14:30”, embora o dispositivo se mantenha operacional durante o resto do dia.

Entre as ocorrências, o autarca descreveu “uma situação em Chelas”, com duas pessoas auxiliadas para “sair de um carro”, alguns alunos com mobilidade reduzida da Escola Fernando Pessoa, nos Olivais, que também precisaram de ajuda, mas, frisou, “não houve assim uma situação de grande relevo”.

Alcântara passou no teste da tempestade Aline

A Estrada da Pimenteira, no Monsanto, estava cortada, mas a autarquia iria “tentar abrir o mais depressa possível”, a Rua da Cidade do Porto, ao lado do aeroporto, também estava “condicionada” e “a Segunda Circular esteve condicionada na Rotunda do Relógio, mas já está funcional”.

Lumiar, Santa Maria Maior, Olivais e Rua da Prata, na Baixa, foram algumas das zonas mais afetadas pelo mau tempo, assim como Alcântara, também como algumas ocorrências.

“Todas as freguesias tiveram ocorrências, mas Alcântara desta vez esteve melhor. Ainda não falei com o presidente da junta, vou falar agora, mas penso que estávamos preparados, mas teremos sempre problemas em Alcântara, porque é onde tudo escorre, onde a água chega, e portanto é natural que haja esses problemas”, vincou.

O presidente da câmara assegurou que o centro de operações “continua ativo” e, questionado sobre como resolver os problemas das cheias na cidade, afirmou que “a solução é o túnel de drenagem” e que tinha “orgulho de ter sido o presidente de câmara que iniciou” a obra de construção do túnel de cinco quilómetros até Santa Apolónia, estando também previsto outro entre Chelas e o Beato.

Para Carlos Moedas, os problemas de impermeabilização em zonas como Alcântara só será viável com um processo para “mudar o PDM [Plano Diretor Municipal]”.

Em Alcântara, uma das freguesias mais afetadas pelo mau tempo em dezembro de 2022, de acordo com o presidente da junta de freguesia, Davide Amado, hoje “choveu muito menos e em menos tempo, pelo que a situação foi mais ténue do que a vivida em dezembro passado”. “Tivemos algumas inundações na Rua das Fontaínhas, na Rua 1.º de Maio e na Rua Fábrica da Pólvora. Houve dois restaurantes inundados, também, mas não tivemos conhecimento de danos maiores”, disse à Lusa.

Já no vizinho concelho de Oeiras, onde a chuva intensa e persistente que caiu em dezembro passado levou à morte de uma mulher, em Algés, também a depressão Aline não fez estragos de maior. “Correu tudo bem, foi um grande alívio”, disse à Lusa o presidente da União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada-Dafundo, João Antunes, assumindo que “valeu a prevenção”.

A autarquia do concelho de Oeiras preparou-se para a tempestade com a limpeza de ruas e colocação de comportas na entrada dos estabelecimentos comerciais, sempre com o apoio dos comerciantes, de acordo com João Antunes.

“Ainda comecei a ver as coisas mal paradas quando a ribeira [de Algés] começou a encher, mas parou de chover e baixou”, acrescentou o autarca.

“Foi um alívio”, desabafou o eleito pelo movimento Inovar União Algés (IN-OV).

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