Patrick Holland estava na lista de transplantes de coração há apenas algumas semanas quando recebeu uma chamada do Centro Médico da Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos, na quinta-feira passada. Foi informando de que tinha sido encontrado um dador compatível.

O homem de 56 anos do Alasca, que tem uma insuficiência cardíaca congestiva, ia receber um novo coração. 

“Para ser honesto, foi uma notícia aterradora ouvir que ia receber um transplante. Fiquei aterrorizado”, afirmou Holland no programa “CNN This Morning” na quinta-feira. “E depois fiquei entusiasmado”.

Holland foi a correr para o aeroporto com o seu irmão para apanhar o primeiro voo de Fairbanks, no Alasca, para Seattle. Mas logo ficou saber que o voo fora cancelado por causa de uma tempestade de Inverno, que na semana passada grande parte dos EUA, levando a milhares de cancelamentos de voos.

Os trabalhadores da companhia aérea garantiram-lhe um lugar noutro avião depois de saberem da sua situação, mas devido ao tempo de Inverno, o avião foi reencaminhado para Anchorage a meio do voo - algo de que Holland só se apercebeu depois de aterrarem, segundo relatou. 

“Comecei a entrar em pânico”, disse, “os meus piores receios começaram a dominar-me. Porque quando se ouve isso, pensa-se que há alguém a doar um coração e não imagino que possam esperar tanto tempo. Porque quanto mais tempo espera, mais tempo o tecido se decompõe”.

A Alaska Airlines “saltou pelos arames para me levar até lá”, disse Holland. Mas vários voos subsequentes também foram cancelados, e ele acabou por dizer ao seu irmão: "Eu sei que o perdi, eu sei que o perdi".

Momentos mais tarde, a coordenadora de transplantes telefonou-lhe.

“Ligou-me para me dizer que iam dar o coração a outra pessoa".

As duras condições meteorológicas deste Inverno nos EUA tiveram um forte impacto no Noroeste do Pacífico nos últimos dias. O gelo provocou o encerramento das pistas do Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, e quase metade dos voos de entrada e saída do aeroporto foram cancelados na sexta-feira, segundo a FlightAware.

Conduzir até Seattle não era realmente uma opção.

Fairbanks fica a cerca de 3.500 quilómetros de Seattle. Enquanto um voo para lá demora normalmente cerca de três horas e meia, conduzir pode demorar cerca de 39 horas - se conduzir sem parar e em condições meteorológicas e rodoviárias ótimas. Há também dois pontos de controlo fronteiriços no meio.

Estar na lista de transplantes permite a Holland a oportunidade de obter um novo órgão. Holland disse ter sofrido um “ataque cardíaco maciço aos 29 anos”, bem como, desde então, uma série de complicações relacionadas com o coração.

“Cada fase tira muito de si”, contou ele à CNN, acrescentando que isso teve impacto na forma como interage com os seus sete filhos, com idades entre os 36 e os 3 anos de idade. “Agora não posso correr atrás deles durante mais de 30 segundos, o meu coração começa a bater como se estivesse a sair do meu peito. E depois, se eu continuar, vou ter de levar um choque do meu desfibrilador".

Esperar por um transplante de órgãos não é tão simples como “tirar um número e esperar a sua vez”, de acordo com a Rede Unida de Partilha de Órgãos (UNOS) dos Estados Unidos.

“A lista de espera é melhor descrita como um conjunto gigantesco de pacientes”, lê-se no site. “Quando um doador de órgãos falecido é identificado, o sistema informático da UNOS gera uma lista classificada de candidatos a transplante que são adequados para receber cada órgão. A UNOS combina indivíduos à espera de um transplante que salva vidas com órgãos de dadores compatíveis”.

Os órgãos requerem métodos específicos de preservação para se manterem viáveis. Para corações e pulmões, o tempo máximo de preservação de órgãos pode ser de cerca de quatro a seis horas, enquanto os rins podem variar de 24 a 36 horas, explica a organização.

Holland tentou olhar “para o lado positivo das coisas”. Outra pessoa teve um milagre de Natal, recebendo o transplante que lhe era originalmente destinado, enquanto ele ia para casa e passava o Natal com a sua família.

“Há uma grande parte de mim que sente que os desiludi ao não estar em Seattle. Culpo-me por essa parte", disse, acrescentando que não esperava receber uma chamada sobre um transplante tão rapidamente.

O sonho de Holland é ser capaz de acompanhar os seus filhos, contou ele à CNN. E ele está ansioso por passar tempo com a sua mulher de há 17 anos, Haley, que gere uma página no Facebook dedicada à viagem do seu marido.

“O nosso objetivo é estar mais preparado para a segunda chamada”, lê-se numa publicação recente na página. “A primeira chegou em duas semanas e meia. A próxima pode vir a qualquer altura, ou em semanas ou meses”.

Holland diz que planeia encontrar em breve uma casa temporária em Seattle, pelo que estará pronto assim que o seu nome for chamado. Por agora, o que o mantém em movimento é a sua família, comunidade e fé. Ele continua esperançoso, porque, " não importa o quê, eu sei onde vou estar no final".

CNN / Paradise Afshar e Dakin Andone