Um imigrante marroquino contou ao jornal El Mundo o incidente que sofreu na terceira noite de confrontos entre elementos de extrema-direita e imigrantes em Torre Pacheco, na região espanhola de Múrcia.
Hassan, de 36 anos, é dono de um restaurante de kebabs que este domingo à noite foi atacado por “entre 30 a 50 radicais de extrema-direita”, equipados com capacetes e balaclavas.
Ao chegarem ao local, os atacantes disseram a Hassan o seguinte: “mouro, encerra [o restaurante], hoje não há trabalho”. De seguida, atiraram gás pimenta para dentro do espaço.
"Não conseguíamos respirar. Fechámos a persiana, mas voltámos a levantá-la porque eles se foram embora. Quando se aperceberam, vieram outra vez e começaram a rebentar com o sítio. Tinham bastões de basebol e paus. Fugimos pela porta das traseiras, mesmo antes de rebentarem com tudo", contou o imigrante de origem marroquina ao El Mundo.
"Eles queriam matar-nos (...) Felizmente tenho uma porta nas traseiras e foi por aí que conseguimos escapar."
Hassan frisa que nunca teve problemas em Torre Pacheco e que “toda a gente o conhece e sabe que ele não faz mal a ninguém”.
Grupos de extrema-direita lançaram uma ação contra jovens imigrantes que vivem na zona, depois de um homem de 68 anos ter sido agredido na quarta-feira. A comunidade ainda convocou uma manifestação pacífica, mas as coisas acabaram por inflamar, o que levou a confrontos violentos entre ambos os lados.
A Guardia Civil já destacou de forma permanente 75 agentes para garantir a ordem e evitar novos confrontos.