João Galamba é ministro pela primeira vez e vai ter um batismo de fogo logo na sua estreia. De secretário de Estado a sucessor de Pedro Nuno Santos, João Galamba vai precisar de energia para lidar com algumas das pastas mais pesadas do Governo: mesmo sem a habitação, vai repartir, com as Finanças, a tutela de empresas públicas como TAP e CP, além de tomar conta de infraestruturas como linhas de comboio, portos, aeroportos e estradas, onde não faltam problemas.

A TAP está debaixo da polémica indemnização a Alexandra Reis e há o risco de mais dias de greve dos tripulantes em janeiro por causa dos efeitos do acordo de emergência dos tripulantes. O ex-secretário de Estado sucede a Pedro Nuno Santos quando a companhia aérea está apontada à privatização mas sem garantias se o Estado vai receber, na totalidade, os 3,2 mil milhões de euros emprestados.

A CP tem tido greves constantes nas últimas semanas e aproxima-se mais uma paralisação de 24 horas, para os dias 4 e 5 de janeiro, a cargo dos maquinistas. Com os trabalhadores a exigirem compensações pela perda de rendimentos da inflação, João Galamba terá de mostrar dotes de negociador para equilibrar os pedidos dos funcionários com a disponibilidade das Finanças, sob batuta de Fernando Medina.

Também com João Galamba como maquinista saber-se-á quem vai vender os 117 comboios suburbanos e regionais à CP, embora ainda seja necessário o visto do Tribunal de Contas para assinar o contrato. No projeto da nova linha de comboio Porto-Lisboa sucedem-se as apresentações e esperam-se desenvolvimentos do processo em 2023. Também neste ano a Assembleia da República deverá aprovar o Plano Ferroviário Nacional, que estabelece a rede e a distribuição de serviços nos caminhos-de-ferro até 2050.

Ainda mais urgente será a luta de João Galamba contra os atrasos nas obras das linhas de comboio, sob gestão da Infraestruturas de Portugal. Até ao final de 2022, apenas 15% dos investimentos estavam concluídos e havia empreitadas que já somavam seis anos de atraso.

O novo ministro também terá poder para que o centro de Coimbra não perca acesso ao comboio e que Lisboa e Madrid voltem a ficar ligadas por um comboio direto em vez de uma deslocação com duas mudanças de material.

João Galamba poderá ser ainda o ministro que finalmente vai anunciar o futuro do aeroporto de Lisboa, embora seja preciso esperar pelo segundo semestre de 2024 para se conhecer uma decisão final sobre esta infraestrutura.

O novo governante tem ainda de resolver o impasse nos portos, sob greve de vários dias até ao final de janeiro e que já está a ter consequências na disponibilidade de alguns produtos para os consumidores.

ECO - Parceiro CNN Portugal / Diogo Ferreira Nunes