"Quero saber onde ele meteu a minha filha. Ele, o pai e a mãe". Fernando Valente conhece sentença no caso da grávida da Murtosa - TVI

"Quero saber onde ele meteu a minha filha. Ele, o pai e a mãe". Fernando Valente conhece sentença no caso da grávida da Murtosa

  • CNN Portugal
  • AM com Lusa
  • 8 jul 2025, 11:13

Advogado de Mónica Silva espera condenação próxima da pena máxima

O Tribunal de Aveiro marcou para esta terça-feira a leitura do acórdão do julgamento do homem suspeito de ter matado Mónica Silva, a mulher grávida da Murtosa, que está desaparecida desde 2023. A sessão assinala o desfecho do julgamento iniciado a 19 de maio e que tem gerado significativa atenção pública e mediática.

À chegada ao tribunal, a mãe de Mónica Silva pediu a condenação de Fernando Valente, dizendo esperar "que os jurados sejam pessoas humanas".

"[Uma decisão justa] é ele ser condenado. Pagar aquilo que fez", afirmou Celeste Barbosa, acrescentando querer "saber onde ele meteu a minha filha. Ele, o pai e a mãe. Porque foram os três".

Celeste Barbosa diz mesmo que se Fernando Valente for absolvido será uma injustiça "muito grande".

"Se ele ficar absolvido, a justiça não vale nada".

Por sua vez, António Falé de Carvalho, advogado da família de Mónica Silva, revelou que espera que seja aplicada "uma pena que se aproxime dos 25 anos".

Fernando Valente, que teve uma relação amorosa com a vítima, da qual terá resultado uma gravidez, está acusado dos crimes de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver, acesso ilegítimo e aquisição de moeda falsa para ser posta em circulação.

O julgamento realizado com tribunal de júri (composto por três juízes de carreira e oito jurados) decorreu à porta fechada, por decisão da juíza titular do processo, para proteger a dignidade pessoal da vítima face aos demais intervenientes envolvidos, nomeadamente os seus filhos.

Durante o julgamento, o arguido negou as acusações, voltando a reafirmar a sua inocência na última sessão, após as alegações finais.

“Não sei o que se passou com a Mónica. Não sei absolutamente nada. Não lhe fiz absolutamente nada”, afirmou o arguido.

O Ministério Público (MP) e o advogado dos filhos da vítima e do viúvo pediram a condenação do arguido à pena máxima de 25 anos de prisão, enquanto que o advogado de defesa defendeu a sua absolvição.

Fernando Valente, que se encontra em prisão domiciliária, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) em novembro de 2023, mais de um mês depois do desaparecimento da mulher, de 33 anos, que estava grávida com sete meses de gestação.

O MP acusa o arguido de ter matado a vítima e o feto que esta gerava, no dia 3 de outubro de 2023 à noite, no seu apartamento na Torreira, para evitar que lhe viesse a ser imputada a paternidade e beneficiassem do seu património.

A acusação refere ainda que durante a madrugada do dia 04 de outubro e nos dias seguintes o arguido ter-se-á desfeito do corpo da vítima, levando-o para parte incerta, escondendo-o e impedido que fosse encontrado até hoje.

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