«Estava eu no hall do Hotel Makota com o Gonçalo Prego, meu colega, padrinho de casamento e de profissão e também amigo, no dia em que uns tipos, armados com pistolas, facas e facalhões e muito ódio no olhar, sabe-se lá porquê, tentaram entrar por ali adentro».
João Pedro Matoso conta como ele e outros colegas de profissão combateram o ódio das facas e das catanas com a lente da câmara. Timor estava a ferro e fogo e os jornalistas firam a vida ameaçada naquele dia.
De tantas estórias que viveste em trabalho, porque escolheste contar esta, no livro?
Talvez porque estava lá também o Gonçalo Prego. Foi uma estória partilhada e pude conversar com ele sobre isto. Foi uma das muitas que passei em Timor. Talvez nem tenha sido a mais forte, a mais pesada ou até a mais marcante. Mas marcou-me. Foi uma estória cujo desfecho não esteve nas minhas mãos.
Qual foi a reportagem mais difícil de fazer?
Não sei. Talvez seja alguma que ainda não fiz.
O que é que já mostraste em televisão, que não gostarias sequer de ter visto?
Mortos. São imagens que não gosto de ver nem de mostrar: pessoas mortas.
Qual foi a melhor imagem que já captaste?
Apesar de não ter sido em trabalho, as imagens mais bonitas que já captei foram as do nascimento dos meus três filhos.
João Pedro Matoso: «Não gostava de ter visto nem mostrado mortos»
- Redação
- MM
- 12 nov 2010, 18:27
Homem de poucas palavras, João Pedro confessa que a imagem mais bela que já captou não foi em trabalho
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