Líderes europeus garantiram a Zelensky que apenas a UE poderá decidir o destino dos ativos russos congelados - TVI

Líderes europeus garantiram a Zelensky que apenas a UE poderá decidir o destino dos ativos russos congelados

O Primeiro-Ministro polaco Donald Tusk, o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o Presidente francês Emmanuel Macron, o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer e o Chanceler alemão Friedrich Merz, mantêm uma conversa telefónica com o Presidente dos EUA, Donald Trump (Getty Images)

Cerca de 300 mil milhões de dólares em reservas do banco central russo foram congelados em 2022, após a invasão em grande escala da Ucrânia

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Durante uma chamada recente com Volodymyr Zelensky, vários líderes europeus insistiram que cabe exclusivamente à União Europeia decidir o futuro dos ativos russos congelados, de acordo com uma transcrição a que o Kyiv Independent teve acesso através de uma fonte diplomática sénior. 

Ao longo da conversa telefónica, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiteraram que a Europa está a avançar com o que classificam como um “empréstimo de reparações” e que é a UE, e apenas a UE, quem decide sobre a utilização dos ativos russos congelados.

Merz sublinha a Zelensky que é fundamental deixar claro que “os ativos congelados são inteiramente” decididos pelos europeus e Macron reforça a mesma ideia, afirmando que “qualquer decisão sobre os ativos congelados deve estar nas mãos” da UE. Von der Leyen considera ainda ser “muito importante” que o presidente ucraniano transmita a Washington que a Europa está “a avançar com os ativos”.

Na mesma conversa, a líder europeia fez saber que informou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre o plano europeu durante o último fim de semana, sublinhando a necessidade de manter Washington a par do avanço no empréstimo de reparações. Von der Leyen diz ainda que o mecanismo estará aberto a outros países que detenham reservas do banco central russo, como o Canadá ou o Japão.

O projeto europeu foi oficialmente apresentado a 3 de dezembro e prevê um empréstimo que pode chegar aos 210 mil milhões de euros, usando rendimentos dos ativos russos congelados para sustentar as finanças ucranianas num momento em que Kiev enfrenta uma crise orçamental iminente, nomeadamente a partir de meados de 2026.

A iniciativa surge, porém, dias depois de a Bloomberg ter noticiado, citando fontes diplomáticas europeias, que responsáveis norte-americanos procuraram convencer os Estados-membros a bloquear o plano, defendendo que esses fundos poderão ser necessários para garantir um eventual acordo de paz entre Moscovo e Kiev. 

Cerca de 300 mil milhões de dólares em reservas do banco central russo foram congelados em 2022, após a invasão em grande escala da Ucrânia, sendo que aproximadamente dois terços desse montante encontram-se na Bélgica.

Empréstimo europeu "é a via mais rápida para garantir uma paz justa", defende Ucrânia

Na quinta-feira, Iryna Mudra, vice-chefe da presidência ucraniana, afirmou ao Kyiv Independent que o empréstimo europeu é “a via mais rápida para garantir uma paz justa e duradoura”, argumentando que deixará claro a Moscovo que Kiev dispõe de recursos para resistir "prolongadamente à guerra de desgaste imposta pela Rússia".

A proposta enfrenta, contudo, forte oposição do primeiro-ministro belga, Bart de Wever, que invoca riscos legais e financeiros. Vários juristas e especialistas em finanças contestam, no entanto, os seus argumentos, e líderes europeus, incluindo Merz, têm mantido reuniões com o chefe do governo belga para tentar desbloquear o impasse.

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