Marcelo nega estar incomodado com o que o site do Parlamento lhe fez - em causa o pedido para ir a Kiev - TVI

Marcelo nega estar incomodado com o que o site do Parlamento lhe fez - em causa o pedido para ir a Kiev

  • Agência Lusa
  • MM
  • 22 ago 2023, 18:09
Marcelo Rebelo de Sousa com presidente da Polónia, Andrzej Duda

Marcelo Rebelo de Sousa está na Polónia e pediu autorização para ir à Ucrânia

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deverá deslocar-se à Ucrânia entre esta terça e sexta-feira, de acordo com um pedido de autorização enviado ao Parlamento.

O pedido foi feito a partir de Varsóvia, onde o chefe de Estado se encontra para uma visita oficial que começou na segunda-feira e termina precisamente esta terça-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido pelo homólogo polaco, Andrzej Duda, e vai encontrar-se ainda com os presidentes da câmara baixa do Parlamento e do Senado daquele país.

No final desta visita, questionado pela RTP e Antena 1, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu apenas que a Assembleia da República autorizou "uma eventual ida à Ucrânia".

"Eu pedi e foi autorizado, o presidente da Assembleia da República ouviu os líderes parlamentares e deputados individuais e portanto estamos nessa fase e agora veremos a evolução dos acontecimentos", referiu.

Rejeitando que tenha ficado incomodado com a divulgação no site da Assembleia da República, o chefe de Estado explicou que o parlamento "publicou primeiro o pedido" e "depois a autorização depois de ela ter sido obtida", tal como acontece normalmente.

"A Assembleia da República costuma fazer isso e portanto deve ter feito dentro da linha geral", acrescentou.

Questionado sobre se nessa eventual ida à Ucrânia tenciona encontrar-se com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Marcelo Rebelo de Sousa disse apenas: "vamos ver".

Marcelo na Polónia

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, prometeu a Andrzej Duda atenção e solidariedade quanto às preocupações da Polónia em relação às “movimentações que questionem as fronteiras leste da União Europeia e da NATO”.

Numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente da República polaco, Marcelo Rebelo de Sousa deixou “uma palavra especial” àquele país “pelo papel que tem tido no quadro da situação vivida na Ucrânia”.

“Estamos unidos e estamos solidários e sem hesitações e por isso eu tomei devida nota das preocupações polacas quanto àquilo que possa ser entendido como necessidade de estar atento a movimentações que questionem as fronteiras leste da União Europeia e da NATO. Estamos atentos, solidários e operacionais”, enfatizou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o “desafio que se coloca neste conflito, que não é um conflito meramente europeu, é um conflito global, é um desafio difícil, mas essencial”.

“Ignorá-lo ou não estar disponível para enfrentá-lo, na medida das capacidades de cada qual, seria um erro histórico e nenhum dos nossos dois povos, países, estados cometeu esse erro. Isso explica porque é que em Portugal há uma unidade praticamente total em torno desta questão”, defendeu.

Na análise do chefe do Estado, Portugal, seguido pela Polónia, “é onde a opinião pública é mais clara quanto à posição a adotar pelo Estado português quanto à situação ucraniana”, o que tem gerado “uma convergência nacional, sensível aos princípios que estão em causa”.

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que a “posição polaca em relação à invasão da Ucrânia pela Federação Russa” foi “sempre constante” quer do ponto de vista político, diplomático, militar, humanitário, financeiro.

“Como sabe a Ucrânia e sabem os nossos outros aliados, a posição portuguesa é exatamente idêntica. É e será porque não podemos admitir a violação de princípios fundamentais da comunidade internacional, do direito internacional, da carta das Nações Unidas e por isso o povo ucraniano tem direito a recuperar a sua integridade territorial, fundamental para o exercício da sua soberania, como Estado independente e de fazê-lo com a solidariedade de todos os que se reconhecem nesses princípios e não aceitam a violação continuada daquilo que são valores que devem unir a comunidade internacional”, referiu.

Segundo o Presidente da República, é preciso estar atento “às formas diretas e indiretas de fazer guerra”.

“Faz-se guerra hoje de muitas formas. Nós conhecemos bem o que se passa noutros continentes. (…) Forças nacionais destacadas noutros continentes e sabemos como aí as intervenções destabilizadoras começaram por ser indiretas, passando depois a ser diretas”, disse.

Por sua vez, o Presidente polaco agradeceu "a Portugal pela ajuda prestada até agora" ou seja, o apoio aos ucranianos, por exemplo, com a ajuda humanitária”.

Andrzej Duda respondeu ainda a perguntas sobre a presença do grupo Wagner, referindo que esta "é um facto no território da Bielorrússia".

"Gostaria de lembrar que esse ataque híbrido nas fronteiras da Polónia já dura desde há muito tempo, especialmente na segunda parte de 2022 e na primeira parte deste ano diminuiu um pouco, mas a pressão nos últimos tempos tem aumentado e é obvio que esse ataque está a ser auspiciado pelo regime bielorrusso e também pelas autoridades russas. Tratamos isso como um dos elementos da ampla operação conduzida pela Rússia", referiu Andrzej Duda.

O presidente polaco afirmou ainda que "proteger as fronteiras é um dos assuntos mais discutidos nas últimas semanas e dirigir mais forças para apoiar também as forças da polícia e também os soldados".

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