"Será que este órgão vai mesmo funcionar como um órgão humano? Até agora parece que sim": o sucesso científico do momento - TVI

"Será que este órgão vai mesmo funcionar como um órgão humano? Até agora parece que sim": o sucesso científico do momento

  • CNN Portugal
  • CNC
  • 17 ago 2023, 15:04
Transplante de rins de porco

"Parece ainda melhor do que um rim humano." Eis o que se passou - e como um homem e a família dele decidiram doar o corpo para que tudo isto fosse possível: "Ele vai ficar nos livros de medicina"

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Cirurgiões americanos realizaram o transplante de um rim de porco geneticamente modificado para o corpo de um homem em morte cerebral. Durante mais de um mês, o órgão, além de não ser rejeitado pelo corpo, continua a funcionar normalmente, produzindo até mesmo urina. O caso foi divulgado quarta-feira pelo centro médico Langone Health da Universidade de Nova Iorque.

Esta operação marca o período de tempo mais longo em que um rim de porco transplantado para uma pessoa funcionou, reporta a Al Jazeera. De acordo com o Guardian, o rim ainda continua a funcionar normalmente e os investigadores vão continuar a monitorizar, durante um segundo mês, a performance do órgão.

"Será que este órgão vai mesmo funcionar como um órgão humano? Até agora parece que sim", afirmou Robert Montgomery, diretor do instituto de transplantes da NYU Langone, à Associated Press (AP). "Parece ainda melhor do que um rim humano", disse Montgomery a 14 de julho, citado pelo Guardian,

"Reunimos agora mais provas que demonstram que, pelo menos nos rins, a simples eliminação do gene que desencadeia uma rejeição hiperaguda pode ser suficiente - juntamente com medicamentos imunossupressores clinicamente aprovados - para gerir com êxito o transplante num ser humano para um desempenho ótimo, potencialmente a longo prazo", afirmou  ainda Montgomery.

Um pouco por todo o mundo os cientistas tentam aprender como fazer transplantes com recurso a órgãos de animais de forma a salvar o maior número possível de pessoas, sendo que estes testes e ensaios estão agora a ocorrer em corpos doados à ciência.

Os cientistas estão a tentar alterar geneticamente estes órgãos de origem animal de forma a que não sejam imediatamente rejeitados pelo corpo humano e se tornem viáveis a longo prazo, como forma de combater a escassez de órgãos para transplante.

Foi a ideia de que este procedimento com recurso a um órgão de origem animal geneticamente modificado podia contribuir no futuro para o combate à escassez de órgãos para transplante que persuadiu a família de Maurice Miller, de 57 anos, a doar o corpo, reporta a AP.

"Tive dificuldade em decidir o que fazer", disse a irmã, Mary Miller-Duffy, à AP. Mas ele gostava de ajudar os outros e "acho que é isto que o meu irmão quereria, por isso ofereci-lhes o meu irmão". "Ele vai ficar nos livros de medicina e vai viver para sempre", acrescentou a irmã.

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