Foi detido e demitido um vice-ministro do governo ucraniano, Vasyl Lozynskyy, na sequência de uma investigação sobre desvio de dinheiros públicos que deveriam ter sido utilizados para reconstruir as infraestruturas do país que foram danificadas durante a guerra.

Uma investigação do Departamento Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU, na sigla original) dá conta de que fundos públicos que tinham sido colocados de parte para fazer face ao inverno foram utilizados para beneficiar uma empresa durante a aquisição de geradores, sendo o até agora governante suspeito de receber cerca de 368 mil euros para favorecer a empresa.

O Ministério das Infraestruturas da Ucrânia já confirmou a detenção de Vasyl Lozynskyy através da sua página no Facebook, referindo que houve uma “detenção por peculato com fundos”.

A mesma nota, que dá conta de que o governante não fez quaisquer comentários sobre as suspeitas, refere que Vasyl Lozynskyy foi demitido.

O NABU fala mesmo numa “organização criminosa”, referindo que foram detidas outras pessoas, uma vez que existem suspeitas de benefícios ilegais através deste dinheiro, que se destinava a comprar equipamento e máquinas.

“Note-se que a exposição da organização criminosa, que inclui o vice-ministro, aconteceu graças à pronta infiltração dos inspetores no grupo”, acrescenta o comunicado que se faz acompanhar por uma fotografia com várias notas em cima de uma mesa.

O mesmo comunicado refere que o governo da Ucrânia já alocou 1,68 mil milhões de hryvnias (cerca de 42 milhões de euros) para a reconstrução de infraestruturas críticas no país, depois de vários ataques russos terem danificado centrais de produção ou armazenamento de energia, bem como as redes de abastecimento de eletricidade, água ou gás.

“A conclusão dos contratos foi feita num preço inflacionado previamente determinado pelas entidades envolvidas no negócio”, refere a nota, dando conta de que foram entregues 280 milhões de hryvnias (perto de sete milhões de euros) para garantir que o concurso seria entregue a uma determinada empresa.

Foram ainda encontrados vários maços de notas num valor de quase 40 mil euros durante buscas ao escritório de um dos empresários.

António Guimarães