Paulo Portas considera que foi um “disparate enorme de diplomacia pública” a decisão de Israel de proibir orações no Santo Sepulcro neste Domingo de Ramos, dizendo que “revela o grau de fanatização numa ala do governo de Israel”.
Quando se assinala um mês de guerra no Médio Oriente, o comentador da TVI vinca que a administração Trump “nunca foi clara” quantos aos objetivos da investida com Israel no Irão.
E acusa o presidente norte-americano de fazer algo parecido ao homólogo russo. “É um erro um pedacinho parecido com o que Putin fez: esperava tomar a Ucrânia em menos de uma semana e vamos em mais de quatro anos”, afirmou.
Para Portas, “os americanos esqueceram-se do fator Ormuz e não têm uma solução para desbloquear o estreito”. Contudo, há um risco que se junta à lista: o de Teerão bloquear o Estreito de Bab El-Mandeb.
“E é um estreito mais estreito ainda do que o de Ormuz, que está dividido em dois corredores, tem algumas ilhas pelo meio, e que pode chegar aos sete milhões de barris”, descreve.
Questionado sobre a possibilidade de os EUA estarem a preparar uma invasão terrestre ao Irão, o analista reforça que “isso torna o risco para a vida física dos soldados americanos muito maior porque os expõe no território a ações de guerra e de guerrilha”.
Perante as posições sempre contraditórias do presidente norte-americano, Portas considera que esta semana, pela primeira vez, “mercados deixaram de respeitar a palavra de Donald Trump”.
“É um grande risco para o Presidente dos Estados Unidos que a sua palavra já não seja compreendida nem respeitada pelos mercados”, argumentou.
Neste Global, Portas destaca ainda o excedente orçamental em Portugal, que dá ao país “uma certa ajuda neste ano que vai ser difícil”.
“Eu concentraria todas as medidas possíveis em melhorar a nossa competitividade e em animar os nossos empresários”, aconselha.
