Em entrevista à CNN Portugal, o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância diz que a grande maioria das crianças vai à escola sem as condições mínimas necessárias para sobreviver, num dia em que a UNICEF alertou para a morte de 100 crianças desde o início do cessar-fogo entre Israel e os islamistas do Hamas.
James Elder alerta para o facto de que os palestinianos continuam sem acesso à ajuda humanitária essencial e que têm de reconstruir infraestruturas básicas sem o apoio, que deve vir de fora.
A conversa com Elder aconteceu quando passam mais de três meses de um precário acordo para um cessar-fogo, que não tem impedido combates no terreno e que tem levado ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações dos termos do acordo.
Os confrontos têm levado, de acordo com a organizações humanitárias no terreno, à contínua destruição das infraestruturas civis, incluindo escolas, assim como à perda de vidas humanas.
"Morreram mais de 100 crianças desde o início do cessar-fogo," disse Elder à CNN Portugal. E recordou que isso representa uma criança morta por dia nos últimos três meses.
UNICEF quer crianças escolarizadas a viver sem risco
James Elder alerta para a necessidade de ajuda dos que mais sofrem.
"Imaginem como deve ser um dia típico de uma criança. Como deve ser o dia típico de um rapaz ou uma rapariga em Gaza durante o cessar fogo. Bem, devem dormir em segurança, devem acordar com uma bebida quente e um pequeno almoço. Isso seria o mínimo," disse o porta-voz da UNICEF à CNN Portugal.
A CNN quis também saber como se encontram as crianças nestes dias de inverno no Território Palestiniano. Elder contou que "está um frio de rachar."
"Estive lá fora a ver as tendas a serem levadas pelo vento. As crianças têm frio e não conseguem aquecer-se. Os sistemas imunitários delas foram enfraquecidos por causa dos dois anos e meio desta situação."
Ainda assim, o porta-voz da UNICEF diz que a organização da ONU está a fazer o melhor possível para melhorar as condições dos deslocados:
"Ao mesmo tempo, vamos fazer com que as coisas mudem. Temos 70 novos postos de alimentação e as crianças estão a voltar às salas de aula."
