Ministro recebe comissão de moradores que quer desviar aeroporto cinco quilómetros para o lado de Lisboa
A operação do futuro aeroporto Luís de Camões vai ficar condicionada por nevoeiros matinais frequentes às horas de ponta da operação aeroportuária. “A localização é bastante gravosa porque vão colocar o aeroporto sobre uma ribeira. As zonas perto da ribeira têm sempre muito nevoeiro. E eu sei isto porque passo lá com o carro todos os dias há 20 anos”, alerta Jorge Sousa, engenheiro de Aeródromos pela Academia Militar da Força Aérea, doutorado em Engenharia Civil pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA.
O nevoeiro reduz drasticamente a visibilidade, dificultando aterragens, descolagens e circulação em pista. Isso provoca atrasos em cadeia, desvios de voos e cancelamentos. Exige maior separação entre aeronaves, reduzindo a capacidade do aeroporto. Em situações severas, pode levar à suspensão temporária de todas as operações. “Já não é tão crítico como há uns anos, graças aos modernos instrumentos de navegação, mas continua a ser um fator condicionante da operação aeroportuária”, resume Paulino Pereira, professor do Instituto Superior Técnico especializado em Geotecnia, Transportes e Vias de Comunicação.
A comissão de moradores, presidida por Jorge Sousa, defende a deslocação das pistas do aeroporto cinco quilómetros para poente, em direção a Lisboa. Como fundamento, usa uma longa lista de argumentos: redução da pegada carbónica, menos risco de cheias e de operacionalidade devido ao nevoeiro, redução dos custos com expropriações e da população exposta ao ruído e à poluição dos aviões. Paulino Pereira concorda com a vantagem de “puxar” o aeroporto o mais possível para poente, ainda que dentro do Campo de Tiro. Do seu ponto de vista, essencial é manter a operação na Portela, o aeroporto com melhor navegação da Europa.
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, vai receber várias associações de moradores na próxima segunda-feira. Jorge Sousa será um dos participantes na reunião.