Violência contra a comunidade LGBTQI+ na Europa bate recorde de há uma década - TVI

Violência contra a comunidade LGBTQI+ na Europa bate recorde de há uma década

Bandeira LGBT (Foto: Ben Curtis/AP)

O crime de ódio contra a comunidade LGBTQI+ está a aumentar em França, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Montenegro, Portugal, Países Baixos, Roménia, Rússia, Sérvia, Espanha, Suíça, Turquia, Ucrânia e Reino Unido

A violência e o discurso de ódio contra a comunidade LGBTQI+ nunca foi tão elevada na Europa e na Ásia Central nos últimos dez anos. Os dados pertencem ao mais recente relatório da European International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (Associação Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo - ILGA).

Estas regiões registaram em 2022 um forte aumento da violência contra pessoas LGBTQI+, incluindo ataques planeados, mas também suicídios, no âmbito do "discurso de ódio crescente e generalizado" por parte de figuras políticas, líderes religiosos, organizações de direita/extrema-direita e especialistas que pertencem a órgãos de comunicação social.

"Há uma tendência contínua de crescimento do discurso de ódio, a maioria está relacionado a pessoas trans. O discurso de ódio foi declarado como um problema sério online na Arménia, Áustria, Letónia, Montenegro e Roménia; por políticos e representantes estatais na Áustria, Azerbaijão, Bielorrússia, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Dinamarca, Finlândia, França, Hungria, Islândia, Itália, Kosovo, Lituânia, Moldova, Montenegro, Macedónia do Norte, Países Baixos, Polónia, Rússia, Sérvia, Suécia, Turquia e Ucrânia; e por líderes religiosos no Azerbaijão, Grécia, Moldova, Rússia e Eslováquia", lê-se no documento. 

De acordo com os dados da ILGA, os episódios de violência, que se estão a tornar cada vez mais graves, incluem, por exemplo, o tiroteio em Oslo, na Noruega, quando a cidade se preparava para a parada anual da comunidade LGBTQI+. Morreram duas pessoas e 21 ficaram feridas. Em outubro do ano passado, também foi registado um ataque semelhante em frente a um bar gay na Bratislava, Eslováquia. Morreram dois homens. 

"Percebemos que a violência se tornou cada vez mais planeada e mortal, deixando as pessoas LGBTQI+ cada vez mais inseguras em países da Europa", disse em comunicado a diretora executiva da ILGA-Europa, Evelyne Paradis.

O crime de ódio contra a comunidade LGBTQI+ está a aumentar em França, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Montenegro, Portugal, Países Baixos, Roménia, Rússia, Sérvia, Espanha, Suíça, Turquia, Ucrânia e Reino Unido. Em muitos destes países, o aumento da violência registou valores sem precedentes.

Em contrapartida, os tribunais respondem cada vez mais de forma positiva tanto contra o discurso de ódio, como aos crimes. As condenações contra quem comete este tipo de agressões físicas e verbais aumentaram no Azerbaijão, Bulgária, República Checa, França, Geórgia, Grécia, Hungria, Macedónia do Norte, Espanha e Ucrânia. Vários processos judiciais sobre ataques ou assassinatos estão pendentes ou foram adiados na Turquia.

O relatório - que abrange 54 países da Europa e da Ásia Central - revela ainda que as pessoas desta comunidade têm dificuldades em arranjar emprego e enfrentam vários problemas socioeconómicos, bem como de acesso à habitação, bens e serviço. Um estudo que contam com a ajuda de quatro instituições europeias e ainda com entrevistas a ativistas de direitos humanos, juristas e organizações não-governamentais.

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