O vulcão Cotopaxi, localizado no centro do Equador andino, emitiu esta terça-feira uma nuvem de gás a 1.403 metros acima da cratera, anunciou o Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional.

A nuvem dirigia-se para sudoeste, de acordo com o Serviço Nacional de Gestão de Riscos e Emergência (SNGRE) do Equador, citado pela agência espanhola EFE.

O vulcão localiza-se na cidade de Lacatunga, na província de Cotopaxi, 45 quilómetros a sul de Quito, a capital do país do noroeste da América do Sul.

O Cotopaxi é o segundo pico mais alto do Equador, a 5.897 metros acima do nível do mar.

O jornal equatoriano El Comercio noticiou, no seu portal na internet, que o SNGRE anunciou que a “atividade eruptiva é permanente” e apelou aos equatorianos para que “se mantenham informados através de fontes oficiais”.

O SNGRE tem ativado o alerta amarelo, o menos grave de um sistema que inclui também o laranja, sobre uma erupção iminente, e o vermelho, referente a uma erupção em curso, segundo o respetivo ‘site’.

À população, o SNGRE recomendou que se mantenha atenta às informações oficiais, divulgadas por este organismo ou pelo Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional.

O sistema de proteção inclui um sistema de abrigos para onde a população se deve dirigir em caso de erupção.

As autoridades calculam que 325.000 pessoas poderão estar no caminho de fluxos de lama e rocha se houver uma nova erupção do Cotopaxi, segundo a imprensa equatoriana e a televisão britânica BBC.

O jornal El Comercio noticiou hoje que algumas autoridades locais estão preocupadas com o atraso na reparação de algumas das vias de acesso aos abrigos de proteção que foram afetadas recentemente por fortes chuvas.

O presidente do bairro de Salatilín, José Rocha, alertou para a necessidade de as pessoas terem de caminhar oito quilómetros até aos abrigos se o Cotopaxi entrar em erupção, devido aos problemas na rede rodoviária.

“Estando perto do colosso, temos pouco tempo para as 50 famílias de Slatilín chegarem a uma área segura”, disse Rocha ao El Comercio, referindo que os residentes noutras zonas próximas terão de fazer o mesmo caminho.

As autoridades locais pediram também que haja atenção em relação ao gado, que terá igualmente de ser retirado da zona em risco.

Lembraram que na erupção de 2015, os agricultores receberam uma ajuda que correspondia a dez vezes menos o valor comercial de cada animal.

O Cotopaxi é considerado um dos vulcões mais perigosos do mundo devido à frequência das suas erupções, ao seu estilo eruptivo, ao seu relevo, à sua cobertura glaciar e ao número de populações potencialmente expostas às suas ameaças, segundo informação da SNGRE.

Há registos de dezenas de erupções históricas, a primeira ocorrida no século XVI.

As erupções geram sobretudo “graves perdas económicas”, segundo o SNGRE, como a de 14 de agosto de 2015, porque as emissões de cinzas permaneceram na erva e na água do gado, e provocaram uma redução da produção de leite.

A erupção considerada mais grave ocorreu em 1877, e destruiu a cidade de Lacatunga, com um balanço estimado de mil mortos, segundo a televisão Al Jazeera do Qatar.

Três vulcões estão atualmente ativos no Equador, mas apenas o Sangay, na província amazónica de Morona Santiago, expele lava e material incandescente.

O vulcão El Reventador, no norte, e o Cotopaxi emitem gases e cinzas.

/ RL