A sublinhagem XBB.1.5 da variante Ómicron poderá ser a dominante na Europa nos próximos dois meses, provocando um “aumento substancial” de casos de covid-19, estimou esta sexta-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

“Existe uma probabilidade moderada de a XBB.1.5 se tornar dominante na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] e provocar um aumento substancial do número de casos de covid-19 nos próximos dois meses”, adiantou o ECDC na avaliação de risco sobre a sublinhagem considerada mais transmissível do que as anteriores.

De acordo com a atualização hoje divulgada, os dados já existentes indicam, porém, que “não há sinais” de que a infeção pela XBB.1.5 - uma recombinante de duas linhagens da BA.2 - seja mais grave do que a provocada pelas outras linhagens da variante Ómicron já em circulação.

O último relatório do Instituto Ricardo Jorge (INSA), divulgado na terça-feira, indica que foram identificados em Portugal 36 sequências da linhagem recombinante XBB em Portugal, entre as quais uma da XBB.1.5, que “tem suscitado elevado interesse devido à sua capacidade de evasão ao sistema imunitário e ao seu recente aumento de frequência em vários países”.

O ECDC avançou ainda que, nas últimas duas semanas de 2022, a prevalência da XBB.1.5 na UE/EEE foi inferior a 2,5%, mas nos Estados Unidos está atualmente com um nível de propagação 12% mais rápido do que as anteriores.

Perante estes dados, o centro europeu com sede em Estocolmo avaliou como baixo o impacto da infeção por XBB.1.5 na população em geral, passando a moderado para as pessoas recentemente vacinadas.

Já para as pessoas vulneráveis à covid-19, como os idosos, não vacinadas ou com a vacinação incompleta, de acordo com o calendário recomendado para a sua faixa etária, a avaliação do ECDC define o nível de risco como elevado.

A agência da União Europeia recomendou às autoridades nacionais de saúde pública a realização de testes e a sequenciação do coronavírus SARS-CoV-2, a aposta na vacinação contra a covid-19 e o reforço das medidas de prevenção e controle de infeções.

O ECDC salientou que “também devem ser consideradas” medidas não farmacológicas, como ficar em casa quando estiver doente, o teletrabalho, a boa ventilação de espaços interiores e uso adequado de máscaras. 

A maior proporção de XBB.1.5 foi notificada nos EUA, onde se estima que represente atualmente cerca de 28% das infeções no país, atingindo até 73% dos casos detetados nos estados do Nordeste.

Esta sublinhagem foi detetada pela primeira vez nos EUA em outubro de 2022 e, desde então, tem sido identificada num número crescente de países.

O ECDC tem monitorizado toda a linhagem XBB como variante de interesse (VOI), mas, partir de quinta-feira, classificou a XBB.1.5 como uma VOI em separado.

/ RL