Supremo Tribunal da Rússia proíbe único partido antiguerra de concorrer às legislativas - TVI

Supremo Tribunal da Rússia proíbe único partido antiguerra de concorrer às legislativas

  • Agencia EFE
  • PF
  • 10 ago, 18:35
Nikolai Rybakov, líder do Yabloko (SERGEI ILNITSKY/EPA via Lusa)

Segundo a imprensa local, esta é a primeira vez na história moderna deste país que um partido é excluído depois de o seu nome ter sido oficialmente incluído no boletim de voto

O Supremo Tribunal da Rússia anunciou esta segunda-feira a sua decisão de excluir o partido da oposição Yabloko, o único que se opõe à guerra na Ucrânia, das eleições legislativas de setembro.

Desta forma, deu provimento à ação apresentada pelos ultranacionalistas do Rodina (Pátria), que acusaram o partido liberal de receber financiamento estrangeiro e de outras violações, acusações que foram apoiadas pela Comissão Eleitoral Central (CEC).

De seguida, o Yabloko, cuja lista eleitoral tinha sido aprovada pela CEC no final de julho, anunciou que irá recorrer da decisão, para o que dispõe de um prazo de cinco dias.

“Vergonha!”, gritaram as centenas de apoiantes do único partido da oposição legal neste país que se concentraram em frente ao edifício do tribunal assim que tomaram conhecimento do veredicto.

Um agente da polícia ameaçou, através de um megafone, os jovens presentes, garantindo que, se não se dispersassem “dentro de dois ou três minutos”, seriam enviados para o centro de recrutamento militar.

O juiz que presidiu à audiência, Viacheslav Kirilov, o mesmo que ilegalizou a organização de defesa dos direitos humanos Memorial, distinguida com o Prémio Nobel da Paz em 2022, considerou justificada a exclusão do Yabloko.

Segundo a imprensa local, esta é a primeira vez na história moderna deste país que um partido é excluído depois de o seu nome ter sido oficialmente incluído no boletim de voto, onde ocupa o segundo lugar, depois do partido do Kremlin, a Rússia Unida.

“O mais importante é que as pessoas deixem de se matar”, afirmou Nikolai Rybakov, líder do partido, no final da audiência.

Um representante da CEC entregou esta segunda-feira ao juiz um documento secreto que, segundo o seu testemunho, confirmaria o “financiamento estrangeiro” do partido da oposição, terminantemente proibido por lei.

A CEC garante que essa informação foi confirmada, antes e durante a atual campanha eleitoral, pelo Rosfinmonitoring, o organismo russo de supervisão financeira que elabora a lista de extremistas e terroristas na Rússia.

Precisamente, numa tentativa de evitar ser acusado de receber apoio do exterior, o partido demarcou-se, na sexta-feira, do apelo da oposição no exílio para votar no Yabloko nas eleições para a Duma, ou câmara dos deputados, de 20 de setembro.

No âmbito da ação apresentada pelo partido ultranacionalista Rodina (Pátria), os opositores são acusados de apelos ao extremismo e à violação da integridade territorial da Rússia, de apoio às minorias sexuais e de violações dos direitos de propriedade intelectual durante a campanha eleitoral.

Entre outras coisas, o partido liberal exige um cessar-fogo imediato e rápidas negociações de paz com a Ucrânia, além da libertação dos mais de 1.750 presos políticos.

Rybakov denunciou que o verdadeiro motivo da ação “é que nós somos a favor da paz e eles são a favor do derramamento de sangue. Eles percebem que as pessoas querem votar pela paz. E têm medo. É por isso que nos querem excluir das eleições”.

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