Zelensky deixa alerta: "A Ucrânia é só o primeiro passo para Putin. Estou convencido de que está a preparar uma grande guerra" - TVI

Zelensky deixa alerta: "A Ucrânia é só o primeiro passo para Putin. Estou convencido de que está a preparar uma grande guerra"

Volodymyr Zelensky em Izyum (Lusa/EPA)

Em entrevista à Sky News, o presidente ucraniano admite ainda que já tem sentido "uma ofensiva intensificada" no sul do país, confirmando assim as perspetivas de uma nova ofensiva russa

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"Depois da invasão em grande escala, ele não é ninguém para mim". Foi assim que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, se referiu a Vladimir Putin numa entrevista à Sky News, admitindo não estar "interessado" em encontrar-se com o presidente russo para conversações de paz.

A guerra na Ucrânia já se prolonga há quase um ano. Foi a 24 de fevereiro de 2022 que as forças russas invadiram o país vizinho e, desde então, vários têm sido os apelos para que o conflito se resolva através de conversações de paz entre os dois líderes - uma hipótese que Zelensky não coloca sequer em cima da mesa.

"Não estou interessado. Não estou interessado numa reunião, não estou interessado em falar. Já nos encontrámos com ele bem antes da invasão de larga escala. Vi um homem que disse uma coisa, e depois fez outra. Quem é ele agora? Depois da invasão em grande escala, ele não é ninguém para mim", respondeu, numa entrevista gravada no dia em que completou 45 anos.

O chefe de Estado ucraniano não tem dúvidas de que o Kremlin também não está disponível para conversações de paz, até porque, salienta, ao mesmo tempo que faz apelos nesse sentido, a Rússia continua a atacar a Ucrânia. 

"Ucrânia é só o primeiro passo"

Mas as pretensões de Putin vão além do país vizinho, adverte Zelensky: "Estou convencido de que a Ucrânia é apenas o primeiro passo para ele. Estou convencido de que ele está a preparar uma grande guerra."

Para o presidente ucraniano, o conflito só ficará resolvido com "um novo governo na Federação Russa". "Esperamos que assim que as tropas russas regressarem ao seu território, possam admitir os seus erros e que surja um novo governo na Federação Russa. Só aí será possível mantermos conversações [de paz]", assume.

Questionado sobre uma eventual nova ofensiva russa, que tem vindo a ser antecipada por vários analistas militares, Zelensky adianta que "nos últimos seis dias" as tropas ucranianas já verificaram "uma ofensiva intensificada no sul do país", sobretudo na região de Zaporizhzhia, bem como na zona este do país. 

Mas esta ofensiva está a custar-lhes muito caro, vinca o presidente russo, apontando para um "número extraordinário" de baixas do lado russo. "Mas eles não querem saber disso [do número de mortes]. Eles nem sequer contam as pessoas que têm [ao seu serviço]. Nós estamos a contar as pessoas deles, mas não temos números exatos", afirma. 

Ainda assim, o chefe de Estado ucraniano garante que o número de mortes do lado russo "é muito maior" do que do lado ucraniano. "Do que já vimos e contámos, há milhares de mortos do lado deles, e eles continuam a enviar mais pessoas [para o terreno]", denuncia.

"É por isso que eles têm capacidade para atacar em todas as direções", admite Zelensky.

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