Renata Santos
Júlia Palha
Nascida em Gaia numa família de classe média-baixa, sempre teve que trabalhar muito para ajudar os pais que geriam uma pequena mercearia de bairro. Os estudos fizeram-se pelo meio, os amigos e os namorados nem tanto. Não havia tempo para equilibrar tanta coisa e Renata foi levando o barco como podia. Quando terminou o ensino secundário, a mercearia dos pais estava afundada em dívidas e, para ajudá-los, Renata abdicou de ir estudar a tempo inteiro na faculdade e empregou-se nos Armazéns Rosa Neto, aonde ainda hoje trabalha. O sonho é um dia completar um bom curso de hotelaria e abrir um pequeno hotel no centro do Porto. Até lá, tenta equilibrar as contas, enquanto arrenda um quarto, dividindo o resto da casa com Bruno. A relação entre os dois lança muitas faíscas para o ar e a vivência da casa completa a parca vida social de Renata.
Activista e feminista, Renata tem uma beleza invulgar que não passa despercebida a todos os rapazes com que se cruza. Doce e frágil quando confia em alguém, também se torna felina quando não é respeitada. Mas os objectivos dela são mais do que uma mera diversão ocasional. Procura um grande amor, daqueles que só existem nos filmes românticos que vê às escondidas no quarto todas as noites. É uma rapariga fora do seu tempo que só manifesta o que sente realmente através da poesia que escreve e que não mostra a ninguém. O rebuliço das redes sociais e das aplicações de encontros assusta-a e torna-a mais introvertida e pouco disponível para expor as suas fragilidades.
Mas Renata tem um lado crédulo e apaixonado por explorar e pode tornar-se numa presa fácil para um galã treinado. No fundo, Renata tem muitos sonhos guardados, sendo o maior o de conhecer um grande amor. E será precisamente através de uma aplicação que o poderá encontrar. Com um longo historial de relações falhadas, Renata será aliciada por Bruno a usar uma app de realidade virtual para através dela criar o namorado perfeito, um Avatar à sua medida. A felicidade à distância de um dedo. Pelo menos até descobrir o mistério daquele milagre tecnológico.