Em «A Fazenda», a personagem Duarte, de Cláudio de Castro, tentou violar Júlia (prima), interpretada por Kelly Bailey, pela segunda veez. Nesta cena, Duarte vive uma reviravolta: é finalmente revelada a verdadeira faceta do jovem – alguém que cometeu crimes imperdoáveis, abusou da confiança de todos à sua volta, especialmente da família, e que se revela, no fundo, um abusador.
Agora, Duarte está de regresso e com um desculpa esfarrapada:
Duarte conta a Alba que Eva veio ter com ele de surpresa ao sítio onde tinha combinado encontrar-se com uns dealers, e estava completamente descontrolada a dizer-lhe que o ia denunciar por se meter em drogas, acabando por empurrá-lo para o rio. Duarte diz ter decidido fugir para não ir preso. Alba fica a olhar avaliadora para Duarte. Duarte esboça ar muito chocado por Alba lhe dizer que Eva tem uma versão diferente dos factos, dizendo que o empurrou para o rio por ele estar prestes a abusar de Júlia.
A visão de Cláudio de Castro sobre esta cena polémica
No vídeo partilhado pelo ator, Cláudio admite que gravar esta cena não foi fácil. “Nunca é fácil abordar uma cena como esta, que exige de todos os envolvidos uma extrema preparação e, acima de tudo, muito respeito”, afirma o ator, que aproveita para agradecer, de forma especial, às colegas Kelly Bailey, que interpreta Júlia, e Margarida Corceiro, que dá vida a Eva, pela sua disponibilidade, profissionalismo e generosidade. Estende ainda o agradecimento a toda a equipa.
O ator sublinha que dar vida a Duarte tem sido um dos maiores desafios da sua carreira. “Interpretar este vilão não é fácil. Não é fácil encarnar uma personagem tão monstruosa, tão distante de quem eu sou...”.
Cláudio de Castro reforça que o trabalho de um ator vai além do entretenimento. O trabalho de um ator é também dar voz a todas as realidades – e esta é, infelizmente, uma realidade que não pode continuar a ser ignorada. Ser ator não é apenas entreter, é muitas vezes trazer estas questões para cima da mesa, para que possam ser debatidas. Por mais difícil que o assunto seja, tem de ser falado sem medo.
Cláudio de Castro afirma que «temos de olhar para o mundo que nos rodeia e perceber que estas situações acontecem, tragicamente, todos os dias, fora do ecrã – muitas vezes perto de nós. O que vimos na cena reflete apenas uma trágica realidade que se repete na nossa sociedade». O artista acrescenta ainda: «Violência e o abuso sexual contra as mulheres é um crime hediondo, que não pode continuar a ser ignorado. Qualquer tipo de violência física, sexual, psicológica deixa marcas muito profundas – visíveis e muitas delas invisíveis – e é essencial que não haja nenhuma desculpa que justifique o abuso. É preciso falar, denunciar, educar, reeducar, para que esta realidade mude».
E deixa um apelo sincero aos seguidores: