Elisa Lisboa, atriz muito acarinhada pelo público, faleceu aos 81 anos, conforme foi anunciado pela Casa do Artista, onde residia desde 2018. A notícia foi partilhada através de uma sentida homenagem que recorda uma carreira longa, diversificada e profundamente marcante na cultura nacional.
“Elisa Lisboa | 1944 – 2026. Partiu ontem à noite a atriz Elisa Lisboa”, lê-se na comunicação oficial, acompanhada por uma fotografia recente, captada em novembro, durante uma sessão fotográfica com residentes, familiares e amigos. “Adorava ser fotografada. Estava feliz”, sublinha a nota de despedida.
Uma carreira de referência no teatro português
Elisa Lisboa iniciou o seu percurso artístico no Teatro Experimental de Cascais, onde integrou produções marcantes como Bodas de Sangue (1968), Maria Stuart (1969), Antepassados Precisam-se (1970), Um Chapéu de Palha de Itália (1970) e O Rei Está a Morrer (1970).
Ao longo das décadas seguintes, construiu uma presença sólida e respeitada nos palcos nacionais, com passagens pelo Grupo Teatro Hoje (Teatro da Graça) e por várias salas emblemáticas. Entre os muitos espetáculos em que participou destacam-se O País do Dragão, Vieux Carré, Terminal Bar, O Duelo, O Concerto de Santo Ovídeo, Os Amantes Pueris, Os Sequestrados de Altona, Tio Vânia, O Dia dos Prodígios, entre muitos outros.
Música, cinema e televisão: uma artista multifacetada
Para além do teatro, Elisa Lisboa deixou também a sua marca na música. Em 1974 gravou o single “Os Poetas/Velho Tio Tom”, com a colaboração dos músicos do Quarteto 1111. Em 1969, esteve mesmo para interpretar o tema “Desfolhada Portuguesa”, que acabaria por vencer o Festival RTP da Canção na voz de Simone de Oliveira.
No cinema, participou em várias produções relevantes, como Sombras de uma Batalha (1993), Aparelho Voador a Baixa Altitude (2002), Coisa Ruim (2006), Alasca (2009), Luz da Manhã (2011), A Primeira Ceia (2011), A Teia de Gelo (2012) e Axilas (2016), entre outras.
Presença constante na televisão portuguesa
A atriz integrou ainda um vasto leque de séries e novelas, tornando-se uma figura familiar para várias gerações de portugueses. Participou em produções como Morangos com Açúcar, Meu Amor, A Impostora, entre muitas outras.
Uma vida dedicada à arte e ao ensino
Além do seu trabalho artístico, Elisa Lisboa foi professora de Interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema, contribuindo para a formação de novas gerações de atores e atrizes.
Desde 2018, residia na Casa do Artista, onde continuou ligada à comunidade artística e onde foi descrita como alguém que mantinha alegria e entusiasmo pela vida.
Uma despedida cheia de carinho
A última imagem partilhada, captada poucos meses antes da sua morte, mostra uma Elisa Lisboa feliz, rodeada de afetos. A mensagem termina com uma despedida simples e tocante: “Até sempre 🤍”.
Portugal despede-se assim de uma atriz de enorme talento, cujo legado ficará para sempre ligado à história das artes performativas nacionais.