Filipa Maló Franco ficou na memória de muitos portugueses como a pequena Clarinha, a filha mais nova de Vasco Figueiredo, personagem interpretada por Luís Esparteiro na série de sucesso da TVI Super Pai. A produção marcou o início dos anos 2000 e acompanhou milhares de famílias, tornando-se uma referência da ficção televisiva da época. Hoje, aos 33 anos, Filipa seguiu um caminho muito diferente, afastando-se do mundo da representação para se dedicar a uma área completamente distinta.
Atualmente, Filipa Maló Franco é Psicóloga Clínica e da Saúde, com especial enfoque na área perinatal, infantil e na parentalidade. Para além da prática clínica, é também escritora e oradora, fundadora da Clínica Filipa Maló Franco e investigadora, com um projeto dedicado ao sono do bebé. Ao longo dos últimos anos, tem desenvolvido um trabalho amplamente reconhecido nesta área, conciliando conhecimento científico com a experiência pessoal enquanto mãe.
A antiga atriz é casada com o nutricionista Pedro Gameiro, com quem tem dois filhos: Tomás, de 4 anos, e Duarte, de 1 ano. A maternidade teve um papel determinante na sua trajetória profissional, reforçando o interesse e a ligação profunda à psicologia infantil e à parentalidade. Nas redes sociais, o papel de “mãe” é um dos mais destacados, onde Filipa partilha reflexões sobre a vida familiar, o desenvolvimento infantil e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Recentemente, participou numa colaboração com uma marca de água, onde abordou temas relacionados com a independência das crianças e o desenvolvimento emocional. No contexto desta parceria, foi destacado o seu trabalho na desconstrução de ideias sobre autonomia infantil, sublinhando a importância do vínculo e da segurança emocional.
Na publicação associada à campanha, foi partilhada uma reflexão sobre o tema: “E se o segredo da independência fosse, afinal, o colo? Vivemos numa sociedade que tem ‘medo da dependência’ e treinamos as crianças para serem autónomas o mais cedo possível, esquecendo-nos de que a segurança biológica é a base de qualquer crescimento saudável. A autonomia real acontece quando a criança sente que a sua dependência foi acolhida e respondida.”
A psicóloga defende que a base do desenvolvimento saudável passa pela segurança emocional e pela resposta adequada às necessidades da criança, estabelecendo uma ligação entre esse processo e a construção de uma autonomia genuína.
Numa intervenção mais detalhada, Filipa Maló Franco explicou esta visão de forma mais aprofundada: “Ainda se crê que a autonomia tem que ser treinada, que nós não podemos ter bebés e crianças pequenas dependentes, porque senão não vão ser adultos autónomos, que devem dormir sozinhos, desfraldar ao tempo do adulto, quer dizer, tudo isso focado nas necessidades do adulto e não da criança. E eu acho que o maior mito é em torno da dependência e da autonomia. A verdadeira autonomia é aquela que surge do próprio. Ele tem que se sentir seguro para ser verdadeiramente autónomo. E para ele se sentir seguro, ele tem que ter resposta na sua dependência.”
A especialista acrescenta ainda que a autonomia forçada pode ter impactos emocionais na vida adulta: “Se nós tiramos a dependência, forçamos a autonomia, eles até podem começar a fazer as coisas sozinhos, mas não vem de um lugar de segurança, vem de um lugar de insegurança. O que acontece é que eles perdem um bocadinho a crença na relação com o outro. Isto cria uma base de insegurança na relação com o outro. E a autonomia é uma falsa autonomia, porque as pessoas ficam com muito medo, depois ficam ansiosas, têm crises de ansiedade, têm baixa autoestima.”
Para Filipa, o equilíbrio está na resposta às necessidades emocionais da criança, permitindo-lhe desenvolver segurança para explorar o mundo ao seu ritmo: “Se nós não tivermos medo da dependência e respondermos aos nossos filhos como eles precisam, eles vão criando segurança e vão conseguindo explorar, e depois vão eles próprios querer fazer as coisas sozinhos, e vão ser verdadeiramente autónomos, sabendo que podem sempre voltar ao colo de quem gostam.”
O percurso de Filipa Maló Franco é, assim, marcado por uma transição significativa da televisão para a ciência e saúde mental, mantendo sempre uma forte ligação ao público. Hoje, é reconhecida não apenas pelo passado televisivo, mas sobretudo pelo seu contributo na área da psicologia infantil e parentalidade, onde se afirma como uma voz influente e cada vez mais relevante em Portugal.
Conheça melhor aqui o trabalho da ex-atriz: