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Inês Castel-Branco deixa questão: «Porque é que uma mulher velha não pode ser bonita?»

  • TVI Novelas
  • 2 jul, 16:28
Inês Castel-Branco deixa questão: «Porque é que uma mulher velha não pode ser bonita?» - TVI

Um questão pertinente nos dias de hoje.

Inês Castel-Branco voltou a falar sem filtros sobre a pressão estética sobre as mulheres, num excerto da sua conversa com Jorge Correia no Pergunta Simples. A atriz defendeu que, em Portugal, essa pressão “não [é] a profissão” em si que a cria, mas sim “a cultura”, sublinhando que “a pressão é muito maior nas mulheres do que nos homens” e que isso lhe “dá muita pena”.

Neste excerto, Inês insiste na ideia de que uma mulher deve poder envelhecer sem sentir que precisa de esconder o tempo. “Eu não quero retardar. Tu queres. Ótimo. Estás linda. Eu não quero”, diz, acrescentando que não faz sentido alguém olhar para ela e reagir com “Ai, está velha”, como se isso fosse um problema. A atriz, que tem 44 anos, afirma ainda: “Eu vou envelhecer”, e questiona diretamente: “Porque é que uma mulher velha não pode ser bonita?”.

Essa posição encaixa numa reflexão mais ampla sobre idadismo e representação das mulheres em público, um tema cada vez mais discutido em Portugal e fora dele. Estudos e análises sobre envelhecimento feminino apontam precisamente para a pressão estética acrescida sobre as mulheres, especialmente no que toca a rugas, intervenções estéticas e medo de “parecer velha”.

A atriz também critica a ideia de que é preciso começar muito cedo a intervir no rosto e no corpo para “prevenir” o envelhecimento. “Eu conheço mulheres de 20 anos a retocarem-se”, refere, mostrando preocupação com a normalização desses procedimentos entre mulheres cada vez mais novas. No mesmo raciocínio, alerta que já existe uma faixa etária — entre os 50 e os 70 anos — em que muitas mulheres parecem “deixar de ter idade” na perceção pública, o que considera estranho.

Essa leitura vai ao encontro de debates recentes sobre a invisibilidade social de mulheres mais velhas e sobre a forma como o mercado da beleza vende a juventude como ideal permanente. Em entrevistas anteriores, Inês já tinha deixado claro que vê a velhice de forma positiva e até bonita, valorizando rugas e sinais do tempo como parte natural da vida.

Apesar da crítica, Inês Castel-Branco não rejeita as escolhas de quem opta por procedimentos estéticos. “Eu não julgo nada”, afirma, frisando que “cada pessoa deve fazer aquilo que entende para se sentir melhor”. O ponto central da sua intervenção é outro: que ninguém seja empurrado para uma corrida contra o tempo por pressão social ou cultural.

A atriz termina essa reflexão com uma nota de ironia e otimismo profissional: “Para mim é ótimo, porque eu vou poder trabalhar imenso a fazer mulher de 60 anos”. E completa, quase como uma provocação bem-humorada: “Quando chegarmos ali aos 60 e precisarem de uma mulher dos 60, vou ser eu”.

Recorde que Inês Castel-Branco protagoniza atualmente a novela «A Madrasta»:

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