Festa é festa

Inês Herédia responde sem filtros e desmonta polémica sobre mulheres lésbicas

  • TVI Novelas
  • 22 jan, 16:07
Inês Herédia responde sem filtros e desmonta polémica sobre mulheres lésbicas - TVI

Inês Herédia arrasa comentário polémico.

Inês Herédia voltou a usar a sua voz  firme, esclarecida e sem filtros, para responder a um comentário polémico que circulou nas redes sociais, reafirmando o seu papel enquanto uma das figuras públicas mais ativas na defesa dos direitos LGBTQIA+ em Portugal. A atriz e cantora de 36 anos, amplamente reconhecida pelo seu percurso na televisão e no teatro. Ganhou especial notoriedade junto do grande público com a personagem “Nelinha” na novela “Festa é Festa”, mas a sua influência vai muito além da ficção. Mãe dos gémeos Luís e Tomás, nascidos em 2018, Inês tem sido uma voz consistente na promoção da visibilidade lésbica e no combate ao preconceito, utilizando as redes sociais como espaço de diálogo e esclarecimento.

Desta vez, a atriz reagiu a um vídeo partilhado por uma utilizadora chamada Joana, que defendia que a presença de mulheres lésbicas em balneários femininos seria um “problema”. A resposta de Inês Herédia foi direta, estruturada e profundamente argumentada, num vídeo que rapidamente se tornou viral.

Sem rodeios, a atriz começou por desmontar a premissa base da argumentação apresentada, explicando de forma clara onde reside o erro de pensamento e porque é que este tipo de discurso é perigoso e infundado. Inês Herédia recusou a ideia de que mulheres lésbicas olham para outras mulheres da mesma forma que homens heterossexuais, sublinhando que essa associação é um estereótipo antigo e incorreto.

A atriz explicou ainda que nunca, ao longo da sua vida, se sentiu sexualmente observada ou assediada por uma mulher lésbica, fazendo um contraste direto com experiências comuns vividas por muitas mulheres em contextos frequentados por homens heterossexuais. Com serenidade, mas também com contundência, Inês destacou diferenças fundamentais na forma como o olhar feminino e masculino operam na sociedade.

A sua intervenção incluiu uma reflexão mais profunda sobre a comparação entre corpos femininos, apontando que essa prática está muitas vezes ligada a padrões impostos pelo olhar masculino e não à orientação sexual das mulheres.

A citação completa partilhada por Inês Herédia foi a seguinte: «O problema é a presença da mulher lésbica no balneário feminino, porque a Joana não se sente bem a sabendo que poderá ser uma mulher lésbica no balneário, porque, como diz a própria, parte-se do princípio que a cabeça da mulher lésbica é igual à do homem hétero, dogma da própria. Ou seja, a mulher lésbica entra no balneário e toda a mulher que está presente corre o risco de ser sexualmente observada por esta mulher e, consequentemente, assediada. Muito interessante, eu estou muito interessada em saber a parte 2 deste vídeo da Joana, como é que é a solução dela para este grande problema que não existe, mas vamos primeiro ao problema. Então, parte 1 do problema, ora bem, partir do princípio que a cabeça da mulher lésbica é igual à cabeça do homem hétero, é não perceber porque é que existe uma mulher lésbica. A mulher lésbica existe precisamente porque não percebe a maneira como a cabeça do homem hétero funciona, não valoriza aquilo, não funciona da mesma maneira. Logo, não se identifica, não é assim.


O homem hétero olha para a mulher de uma maneira diferente da mulher lésbica olha para a mulher. A mulher lésbica olha para a mulher como uma mulher olha para uma mulher. Olha para dentro, não olha para fora. Ponto número 1. Ponto número 2. Nunca, e quando eu digo nunca, é não houve uma única vez e eu até sou um alvo fácil, por razões óbvias, em que eu tenha sido observada sexualmente, fisicamente, por uma mulher. Uma única vez. E isto não tem a ver com juízos de dizer se sou gira, se não sei o quê, simplesmente as mulheres lésbicas não olham assim para as outras mulheres. Não é isso que nos atrai pessoal, isso vem depois, ok? Nunca aconteceu, ao contrário dos homens hétero. Isso basta ir ali, basta entrar na discoteca, basta entrar num restaurante, basta usar uma minissaia, tá? Pronto, diferença. Portanto, não, eu não corro esse perigo no balneário.

Terceira coisa, é muito interessante que as vezes em que eu senti que o meu corpo estava a ser observado por uma mulher, foi sempre por uma mulher hétero. E se as mulheres pensarem todas agora e forem ver, também foi esse o caso. Porque as mulheres olham para o corpo umas das outras para se comparar com os modelos pelos quais os homens heterossexuais acham que estão certos. Portanto, as mulheres que olham para as outras mulheres para se compararem, isso normalmente é uma coisa mais de mulher hétero. Porque nós não estamos à procura de ficar todas boas para os gajos nos gostarem. Estamos à procura de ficarmos todas boas porque gostamos ou todas o que quer que seja porque gostamos.»

Ora veja o video completo: 

 

A reação nos comentários foi imediata e maioritariamente de apoio, com várias figuras públicas a manifestarem-se. Catarina Siqueira recorreu ao humor, enquanto Gonçalo Peixoto agradeceu a clareza da mensagem. Já Iva Domingues foi contundente, apontando a ignorância presente no discurso criticado.

Com esta intervenção, Inês Herédia volta a provar que o ativismo pode — e deve — ser feito com argumentos, experiência pessoal e pedagogia, contribuindo para um debate mais informado, justo e livre de preconceitos.

Conheça melhor a vida pessoal da atriz: 

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