Nuno Janeiro recorda a morte da irmã como uma perda “enorme” para toda a família e um “peso” com o qual aprendeu a viver, mas que nunca desaparece. “Sinto muita falta dela e é um sentimento que não passa. Aprende-se a viver com um peso, mas está sempre cá”, desabafou, sublinhando que a história da irmã faz parte do seu dia a dia: “A história da minha irmã está cá dentro. Eu vivo com ela”.
O ator admite que esta tragédia o mudou “imenso”, tornando-o uma pessoa mais reservada na forma como expressa emoções e afectos. “Sinto que sou uma pessoa mais fria em emoções, a dizer que gosto”, confessou, explicando que a dimensão da dor o levou a relativizar muitos problemas que antes o incomodavam.
Ana Rita, irmã de Nuno Janeiro, morreu aos 32 anos, vítima de um acidente de viação, numa altura em que estava a organizar a sua vida e a construir o futuro. O ator descreve a relação entre ambos como típica de muitos irmãos: durante anos “luta, luta, luta”, discussões e desafios, até que, já na idade adulta, descobriram um amor profundo e cúmplice.
“É perder um bocadinho do que somos, do que fomos, do futuro”, diz Nuno, ao refletir sobre o impacto da ausência. Para si, perder uma irmã é também perder uma testemunha da própria infância e de todas as memórias partilhadas, o que torna o luto ainda mais duro.
A participação de Nuno em «1.ª Companhia» trouxe estas memórias à superfície de forma especialmente intensa. O tema surgiu quando, dentro da base, se começou a falar muito de irmãos, algo que o foi tocando até ao momento em que “explodiu” emocionalmente ao ver uma fotografia que o fez lembrar Ana Rita.
Em lágrimas, o ator assumiu que aquela “caminhada” dentro do reality foi também um confronto com o passado e com a dor que ainda carrega. “Foi uma grande perda para a família. Sinto muito a falta dela”, afirmou, num dos momentos mais emocionantes da temporada. Ainda assim, garante que, fora desses gatilhos, consegue “carregar bem” essa história, integrando-a na sua vida.
A morte da irmã influenciou profundamente a forma como Nuno vive a paternidade do filho, Dinis. Hoje, diz colocar todo o foco “naquilo que importa”, que é o bem-estar e o futuro do filho. “Ponho o foco naquilo que importa, que é o meu filho e o futuro do meu filho. E o meu filho ser feliz, o meu filho quando crescer lembrar-se do pai”, partilhou.
Ao mesmo tempo, a experiência da perda tornou-o um pai mais ansioso e receoso, que sofre muitas vezes “por antecipação”. Desde o nascimento de Dinis, Nuno admite que tem “muito medo de tudo”, uma inquietação que nasce do conhecimento concreto do que é uma perda irreparável.
Da tragédia, Nuno Janeiro retira uma aprendizagem dura, mas clara: o verdadeiro sofrimento não está nas pequenas contrariedades do quotidiano. “Percebes que, às vezes, aquelas pequenas coisas que te incomodam… não é nada. Percebes que afinal não sofreste, que sofrer é isto pelo qual passamos”, explicou.
Entre lágrimas, memórias e uma enorme saudade, o ator mostra-se resiliente e focado em transformar a dor num motor para valorizar a família, o amor e o tempo que ainda tem com quem está presente. A irmã pode ter partido, mas, como o próprio diz, continua a viver “cá dentro”, em cada passo que dá.